domingo, 26 de julho de 2026

2954 - Silêncio


Força aniquiladora

É o silêncio interior.

Instalado na vida,

Não há como romper 

Com o fenômeno.

Faminto por destruir

O pretérito vivido.

Tudo torna-se silêncio.


O silêncio interior 

Apossa-se do coração,

Escurece a alma

E destrói a carcaça,

Em perfeita usurpação.

Matando sonhos 

E sentimentos.

Tornando-se cárcere.


Elise Schiffer

sábado, 25 de julho de 2026

2953 - Elos indestrutíveis


Após o sepultamento 

Dos amores de uma vida,

A saudade transmuta-se em palavras,

Que agrupadas formam versos.


Abundantes são as saudades,

Que me tornaram escriba.

Carinhosamente deito cada palavra,

Em folhas de papel e as guardo.


Palavras que formam versos,

Que formam estrofes,

Que unidas geram poesias,

Onde meus amores renascem.


Dentro de cada entrelinha,

Amores são revividos,

Amaciados com as lembranças,

Formando elos indestrutíveis.


Elise Schiffer

sexta-feira, 24 de julho de 2026

2952 - Superação


Libertação 

Não aceita retrocessos.

Em frente.

Superação 

Independente da idade física.

Ser forte.

Na senilidade algumas conquistas,

Tem sabor de vitórias épicas.

Satisfação.

Ir só ao cinema após o cárcere da união,

Grande façanha.

Vitória.

Afeto e o domínio próprio,

Vencem anos de regras impostas.

Derrubar barreiras.

A geração das mulheres submissas,

Vai se extinguir.

Renovação.

Glória as conquistas

Das mulheres atuais.

Faróis.

Libertação 

Não aceita retrocessos.


Elise Schiffer

2952 - Esperança e silêncio


Com o tempo

O coração saudoso entende,

Que palavras formam caminhos

Silenciosos.

Caminhos onde o outro não está,

Nem mesmo o eco da voz.


O silêncio por vezes é julgado

Como ausência.

Quando na verdade

É o amor morando dentro de nós.


Serenidade não é o fim

Da saudade,

É não prolongar a dor.

O fim de um amor 

Precisa de esperança e silêncio,

Pois só assim o adeus fará sentido.


Elise Schiffer

quinta-feira, 23 de julho de 2026

2951 - Invisibilidade


A invisibilidade 

Começa no núcleo familiar,

Antes mesmo da decreptude.


Estendendo se aos espaços 

Sociais, públicos e grupos,

Tudo passa a ser indiferença.


Cultura, conhecimento ou sabedoria,

Nada mais faz sentido,

A pressa ensurdeceu a todos.


Transeuntes, amigos e familiares,

Fecharam o coração e olhos,

Por medo da responsabilidade.


Esse vazio imposto pelo mundo

E pelos corações próximos,

É a diplomação da senilidade.


Elise Schiffer

quarta-feira, 22 de julho de 2026

2950 - Quase nós


Palavras não seguram 

O tempo nem as pessoas.

Quase uma prisão.

Tentar criar vínculos pós morte,

É loucura de escritor.

Quase uma libertação.

Escrever por dias e anos,

Deitando a saudade em resmas.

Quase uma loucura.

Versar tentando ser ouvida,

Expondo a dor de uma vida.

Quase um sonho.

Acreditar na sobrevida do amor,

Mantendo o luto vivo.

Quase um prazer.

O tempo passar,

Estações passarem e o amor ficar.

Quase uma persistência.

Não parar de escrever por crença,

Atrelada nas entrelinhas.

Quase uma religião.

Abandonar a escrita diária,

Deixando o amor morrer novamente.

Quase uma desolação.

Palavras no agora,

Revivendo lembranças.

Quase uma felicidade.

Palavras ensinando,

Deixar partir é um ato de amor.

Quase uma poesia.


Elise Schiffer

segunda-feira, 20 de julho de 2026

2948 - Amores

.

Amores.

Chegam e partem,

Com a simplicidade de um olhar.

Transformando partilhas de vidas

Em tatuagens na alma.


Restando - Amo-te.


Amores.

Partem levando pedaços do nós.

Ausências, silêncio e distâncias,

Transformam se em lembranças 

Do bem e do bom vividos.


Restando o desejo - Sejas feliz.


Amores.

Lembranças com sentimentos,

Carregadas de saudades e sonhos,

Do zelo que existiu entre corações.

Corações que hoje são solidão.


Restando sussurrar - Para sempre.


Amores.

Encontros e experiências,

Escrevendo um caminhar,

Que ao chegar ao fim da estrada,

Deixam marcas eternas.


Restando -  Vives em mim.


Elise Schiffer

Vim, vivi e venci Ano: 2014


Nascer no interior, 

Onde a pobreza era a maior riqueza

E caminhar sempre com pés no chão. 

Chorar com cuidado 

Para não molhar os trapos remendados.

Lanchar escondida 

Para que o pão duro não fosse piada. 

Mesmo assim caminhar e ler, 

Ler... 

Livros velhos e jornais velhos do lixo, 

Mas ler e  chegar. 

Chegar!

Chegar longe 

E do topo onde não há fome nem frio, 

Chorar mesmo assim, 

Com saudades da simplicidade 

Que cercava a pobreza com sonhos.

Nadar não no rio que corre no chão, 

Mas nos rios flutuantes do céu 

E chegar ao Mar.


Elise Schiffer 

20/07/2014

domingo, 19 de julho de 2026

2947 - Renascemos/Morremos


Renascemos

A cada recomeço na vida.

Sendo várias versões 

Da mesma essência.

Sempre acreditando no amor.


Renascemos

Ao estarmos nos olhos do outro,

Após momentos de amor,

Nas lágrimas derramadas

E ao perdermos para morte.


Morremos

A cada lembrança revivida,

Nas entrelinhas escritas sem leitor,

Nas laçadas que bordam a saudade,

No café sem bate papo.


Morremos 

Diariamente por falta de fé,

Por escrever sem o leitor amado,

Ao apagarmos a esperança no depois

E seguirmos o caminhar.


Elise Schiffer

2947 - Submundo dos escritores


Há um submundo 

Frio e silencioso 

Dentro de cada escritor.


Um submundo poético 

Cheio de sussurros 

De amor, revolta e palavras.


Para permanecerem vivos

Os escritores queimam se

Em sonhos e paixões ilusórias.


Sentimentos dentro de um abismo,

Onde a poesia triste e frágil,

Fortalece a carcaça sonhadora.


Suas dores gemem baixinho,

Para não despertarem paixões antigas,

Adormecidas nas entrelinhas.


Dias de espera e devaneios 

Aquecem o frio da solidão

Com palavras e versos de amor.


Escritores guardam

Memórias congeladas,

No submundo das paixões.


Elise Schiffer

2946 - Aurora Boreal


Muito mais que fenômeno.

Luzes mágicas no céu,

Brincam com sentimentos,

Descortinando sonhos,

De almas que crêem.


Assim são as Auroras Boreais.


Anjos trazendo esperanças 

Chegam à terra bailando,

Através do magnetismo 

Do planeta que clama 

Pelo celestial.


Assim são as Auroras Boreais.


Explicações científicas

Não encobrem a magia,

Que embalam os loucos.

Sentimentos e sonhos 

Estão no DNA da loucura.


Elise Schiffer

sábado, 18 de julho de 2026

2946 - O tempo


Carrasco implacável 

O Tempo!

Sua desumanidade,

Passa levando tudo.


Leva o vigor juvenil,

Familiares, amigos,

Amores, sonhos

E os dias alegres.


Sua passagem 

Descolore a vida,

Trás vazio, silêncio

E cansaço de acordar.


Elise Schiffer

2946 - Beijos


Houve, há e haverá 

Coração e mente atrelados,

Que ao amanhecer 

Jogam beijos para as estrelas.

Nas noites de luar 

Jogam beijos para lua,

Ao passarem por um jardim,

Beijam plantas e árvores.

Nos dias de céu limpo 

Jogam beijos para o sol.

Porque todos merecem beijos.

Das nuvens aos seres vivos,

Estejam pertos ou distantes.

A força do beijo vem 

Do coração que ama com respeito,

Da mente que crê na vida,

Do caminhar confiante

E na certeza que em tudo há vida.

Houve, há e haverá 

Corações e mentes atrelados,

Aguardando por beijos.


Elise Schiffer

2945 - O mar



O mar da solidão 
Aquieta suas ondas,
Para o silêncio reinar,
Navegando suavemente 
Sem buscar um cais.
Por vezes...
O mar sem horizonte
Agita-se com as brisas,
Que sussurram versos
Desapertando a saudade
Já adormecida.

Elise Schiffer

Carcaça. 18/07/2016


Carcaça cansada

Caminha sem parar 

Na certeza da chegada 

Que se faz anunciar.


Elise

18/07/2016

quinta-feira, 16 de julho de 2026

2944 - Asas do tempo



Passado e Futuro
Formam grandes e fortes asas
Conduzindo o Presente
Por ventos de dores e sonhos.

Dores de semeaduras perdidas
E sonhos de novas semeaduras.
Semeaduras presas as fortes asas
Voando em correntes de amor.

Na alternância das asas nos vôos
O Futuro vira Presente
E o Presente vira passado
Guardando dores e sonhos perdidos.

Elise Schiffer

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Somos. (15/07/2012)


Somos luz 

a iluminar a imensidão, 

Somos estrelas 

a cintilar nos corações,

Somos amor 

A acreditar nos sonhos.


Elise Schiffer 

15/07/2012

Tristeza. (Parte do livro - O Ferreiro)

 

Tristeza...

Bem sei tu vais passar, 

deixando apenas uma cicatriz, 

tatuada em minha alma.


Tristeza...

As lágrimas de hoje 

irrigaram o solo seco 

e rachado da esperança.


Tristeza...

Viver em carcere,

desejando dia após dia 

libertar se da carcaça.


Tristeza...

Morrer já não basta,

viver desejando morrer

é pouco para a dor.


Tristeza...

Sua punição é viver

abandonado na multidão

e vivendo no deserto da maternidade.


Tristeza...


Elise Schiffer 

15/07/2014

Sonho I. (15/07/2015)


Almas secas,

Corações despedaçados,

Sonhos vazios,

Mentes digitais,

Assim é viver sem sonhar.


Alma feliz sonha.

Alma feliz vive o acaso.

Alma feliz transforma o pesadelo.

Alma feliz faz do sonho realidade.


Asas para que?

O caminho dos sonhos,

Vive nos corações

Dos fiéis aventureiros,

Que sonham.


Elise Schiffer 

15/07/2015

terça-feira, 14 de julho de 2026

2942 - Negar


Negar a saudade

Afastando as lembranças.

Negar a solidão 

Ocupando a vida com novos afazeres.

Negar...

Saudade é erva daninha 

Florescendo mesmo arrancada.

Solidão é invasão 

Grilando os dias vindouros.

Negar...

Os sonhos noturnos 

Que teimam em reviver o passado.

As entrelinhas 

Que os versos escondem.

Negar...

O amor que vive em mim

Por não haver mais o "nós".

Os dias subjugados pelo luto

Onde a carcaça sobrevive.


Elise Schiffer

Caminhar, sonhar e acordar. Ano 2015


O andarilho caminha com os pés sangrando 

até que descobre a hora certa de parar.

O sonhador vive seus sonhos 

até que um parto sofrido o joga na realidade. 

O escritor relata sobre ele mesmo 

em cada romance, poesia ou conto, 

até o momento em que deixa de escrever 

e apenas declama para si mesmo seus delírios.

E assim 

Caminham os andarilhos... 

Sonham os devaneios...

Acordam os escritores...

Relatos antes em papel 

Hoje são sussurros ao vento.

Dor e quimera são as sobras...

Que o poeta transforma em banquete.


Elise Schiffer

14/07/2015

14/07/2020

domingo, 12 de julho de 2026

2940 - Distorcendo a realidade


Escrever o passado não cansa,   

Dá sobrevida ao que existiu.

Resgatando alegrias da solidão.


Mesmo sem leitores,

Versos invadem a alma do escritor,

Relembrando o que foi felicidade.


A escrita não sufoca,

Por ser um laço sem nó,

Unindo amores e sonhos.


Escritor e amores 

Não morrem nunca,

Mesmo quando chegam ao fim.


Como um barco sem cais,

Escritores vagam em seus sonhos,

Por não atracarem na realidade.


Escritor e escrita não se soltam,

Navegam juntos nos versos,

Distorcendo realidades em sonhos.


Elise Schiffer

2940 - Melhores companhias


Flertei com as letras e sílabas,

Quando menina.

Namorei palavras e definições,

Quando pré-adolescente.

Apaixonei-me pelos versos,

Quando adolescente.

Casei me com a poesia,

Quando adulta.

Divorciei-me de pessoas, mas nunca da escrita.

Hoje somos poesia e poeta num só.

Sou escritora,

No olhar, respirar e caminhar.

Meus personagens são meus amores

E meus livros as melhores companhias.


Elise Schiffer

sábado, 11 de julho de 2026

2939 - Braços vazios












Beijo-te com palavras.

Abraço-te com versos.

Envolvo-te com poesia.

Nas entrelinhas digo "amo-te".


A saudade adormece de braços vazios,

Cansada de chorar a ausência. 

A morte é dor que dilacera,

Deixando a vida sem esperança.


Elise Schiffer

sexta-feira, 10 de julho de 2026

2938 - Mãos dadas

 












A finitude dos amores 

São a matéria prima 

Das lembranças.

Mãos dadas.


A sobrevida dos amores

Está em lembranças vivas

Preenchendo o dia a dia.

Interligando corações.


Os sonhos são pontes

Entre o Real e o imaginário 

Onde transitam às saudades.

Reino da loucura.


Elise Schiffer

quinta-feira, 9 de julho de 2026

2937 - Sentimento egoísta


O amor 

é um sentimento egoísta

Ele liberta,

deixando resquícios de saudade.


A saudade 

é um sentimento que aprisiona,

Amores e amigos 

nas lembranças do coração.


As lembranças 

são fagulhas que incendeiam,

As cinzas quentes

do presente vazio.


O presente vazio

alimenta se do passado

Que retém 

Amores e amigos.


Amores e amigos

Formam as estações  da vida,

No ciclo infinito

Dos que chegam ou partem.


De Elise Schiffer para Claudinho.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

2936 - Solidão


Solidão...


Solidão é beijar 

E não encontrar reciprocidade.

Solidão é cuidar

E não ser cuidado.

Solidão é ouvir 

E nunca ser ouvido.


Solidão...


Solidão é falar com o passado,

Andando e amando.

Solidão é amar silenciosamente,

Por escolha, cuidado e dedicação.

Solidão é ser abandonado,

Por falta de serventia.


Solidão...


Elise Schiffer

2936 - Pescadores



Pescadores de peixes

Saciam a fome física.

Pescadores de estrelas

Saciam a fome de sonhos.


Elise Schiffer

Tristeza.


Tristeza...

 Bem sei tu vais passar um dia, 

 deixando apenas uma cicatriz, 

 tatuada em minha alma.

 Tristeza...

 As lágrimas de hoje 

 irrigam o solo seco 

 e rachado da esperança.

 Tristeza...

 Viver em cárcere,

 desejando dia após dia 

 libertar se da carcaça.

 Tristeza...

 Morrer já não basta,

 viver desejando morrer

 é pouco para a dor.

 Tristeza...

 Sua punição é viver junto a mim,

 abandonada na multidão

 e vivendo no deserto da maternidade.

 Tristeza...


Elise Schiffer

08/07/2014


terça-feira, 7 de julho de 2026

2935 - Aprendizado da senilidade












Se a morte 

acaba com tudo,

Perdermos amores 

para sempre.


Se a morte 

tem um depois,

Somos abandonados 

para sempre.


Não importa 

o que é a morte,

Perda ou abandono 

é inevitável.


Novos aprendizados 

são obrigatórios,

Saudade, solidão e silêncio

São matérias da senilidade.


Elise Schiffer

2935 - Apaixonada por mim


Fiquei ao meu lado

A cada perda pelo caminho.

Abracei meu coração 

A cada dor vivida.

Sequei minhas lágrimas 

A cada pranto de saudade.

Segurei minha mão 

A cada novo percurso.


No fim da jornada

Agradeço-me pela companhia.

Nunca fraquejei 

Por ser meu próprio apoio.

Coragem ou coragem 

Foi minha religião na vida.

Fui, sou e serei apaixonada

Pela guerreira que me forjei.


De Elise Schiffer para Elise

segunda-feira, 6 de julho de 2026

2934 - Fomos bússola












Fomos o norte e o sul

Porque nossa bússola 

Sempre foi o companheirismo.


Sou bússola sem norte.


Fomos estações sem tempo,

Porque nunca usamos datas,

Viver era o mais importante.


Sou datas vazias.


Fomos poesia,

Porque versos existem sem rimas,

Se o amor reside nas entrelinhas.


Sou palavras sem ouvinte.


Fomos jardim,

Porque semeavámos flores e sonhos,

E colhíamos alegrias na alma.


Sou estiagem de sonhos.


Elise Schiffer

domingo, 5 de julho de 2026

2933 - Chegadas e partidas


Caso não entendas a topografia 

Dos caminhos da vida,

Siga em frente caminhando 

E observe o mundo a sua volta.


Pessoas chegam e partem.


Ame, analise

Sem buscar respostas.

Serene o coração

E siga cada nova trilha.


Pessoas partem e chegam.


Caminhos serenos

Ou tortuosos,

Conduzem ao mesmo ponto

De chegada e partida.


Elise Schiffer

2203 - Onde estais?


Onde tu estais?

Não estais na casa 

Que foi nossa..

Não estais no apartamento 

Nem na dor da ausência. 

Até a dor 

Mudou seu endereço.

Onde tu estais?

Não estais 

Junto a mim.

Não estais nas cartas 

Ou versos escritos.

Até as entrelinhas 

Ficaram vazias!

Onde tu estais?


Elise Schiffer

05/07/24

sábado, 4 de julho de 2026

2931 - Novos horizontes


A mente vacila

E o coração palpita,

Fortemente.


Pés cansados conduzem

A lugares desconhecidos,

Desbravadamente.


No percurso...


A mente acredita,

O coração confia

E os pés conduzem.


Segue a carcaça senil,

Temerosa em viver,

Alçando novos horizontes.


Elise Schiffer


* Escrito para uma senhora sozinha, indo de metrô a um lugar desconhecido.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

2931 - Relíquias do amor


A saudade acomoda-se,

A dor adapta-se

E a solidão vira rotina

Na trilha do desamparo. 


Tudo perde sua força.

O passado torna-se refém 

E o coração é domesticado

Pela força do luto.


Lembranças e vozes

São relíquias do amor,

Guardadas com ismero,

Para não perderem o elo.


Elise Schiffer

2931 - Reescrever o amar


Lágrimas e mãos,

Unidas pela saudade,

Escrevem ternos poemas.


Lembranças e versos,

Unidos pela saudade,

Iluminam a solidão.


Lágrimas, lembranças,

Mãos e versos,

Reescrevem o amar.


Elise Schiffer

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Gratidão as canetas


Publicar fotos de canetas usadas, é uma forma de expor minha gratidão, a todas que cumpriram seus deveres.

Companheiras sem falha ou cansaço, escrevendo textos sem profundidade ou sabedoria, apenas estando lado a lado na jornada da saudade. Oi

Elise Schiffer       02/07/26



2930 - Laços


Te encontrei muito antes

Do primeiro olhar.


O amor puxou me

Para onde tu estavas.


A distância foi vencida

E o destino foi cumprido.


Sem palavras ou gestos 

O primeiro olhar selou destinos.


Nasceu a promessa silenciosa 

Do querer bem.


Hoje...


Não há tempo que nos separe.

Permaneço unida na união separada.


Tenho a certeza de que vives

Nas palavras que escrevo.


Palavras que nos abraçam 

Amenizando a saudade.


Olhares separados não rompem

Laços sentimentais.


De Elise Schiffer para Rosemberg

quarta-feira, 1 de julho de 2026

2929 - Romantizar a dor


Minhas palavras 

Estão atadas a você,

Fingindo felicidade

Ao romantizar a dor.


Meus versos

Tem você nas entrelinhas,

Sorrindo para mim 

Em cada momento de solidão.


Seu perfume baila 

Com as memórias que ficaram,

Ao som da sua voz

Que ficou nos cantos da casa.


Seu nome ainda é escrito

Com palavras de saudades,

Unindo sentimentos e prosa

Na pergunta - Onde estais?


Elise Schiffer

terça-feira, 30 de junho de 2026

2928 - Silêncio


A casa calou se

E a luz apagou se.

A saudade fez se visita 

E virou hóspede.


A imagem do amor vive na alma

E a voz no coração.

Seguir em frente é o caminho

Dos sonhos com o "Nós".


Andar devagar,

Com o amor no coração.

Conversar com o passado 

Mesmo sem obter resposta.


Os retratos seguem na parede,

As roupas no armário.

Preservando  o "Nós",

Na casa que se calou.


Seguir reaprendendo a sorrir,

Secando as lágrimas.

Sempre em frente

E com o amor no pensamento.


Elise Schiffer

2928 - Oito anos


Oito anos.

Período de vivência 

Para entender e aprender,

Que vivemos distantes um no outro.

Nossas lembranças são como chuva

No deserto da saudade.


Oito anos.

Período ininterrupto.

Na busca pela administração 

Da saudade no mundo

Físico e espiritual,

Enquanto navegamos nos sonhos.


Elise Schiffer

segunda-feira, 29 de junho de 2026

2927 - Lembranças


Lembranças 

Acolhem, aliviando a saudade.

Adormecem a dor cansada

De tanto buscar abrigo no passado.


Lembranças 

Imagens que sussurram baixinho 

O que a alma deseja ouvir

Para seguir o caminho.


Lembranças 

Estrelas que atravessam a noite

Tentando reencontrar seu Céu

Para fixarem morada.


Elise Schiffer

2927 - Viva ainda estou


Viva...

Metade viva.

Viva, ainda estou.

Levando a saudade

Sobre a carcaça cansada.


Viva...

Metade viva.

Viva, ainda estou.

Com seu nome

Na mente e no coração.


Viva...

Metade viva.

Viva, ainda estou.

Presa as lembranças 

E ao silêncio dos amores.


Elise Schiffer

domingo, 28 de junho de 2026

2926 - Virar monumento


Mães viram monumentos,

E seus lares viram praças.

Amores são apenas visitantes.

Visitas turísticas com poucos diálogos

E nenhum contato afetuoso.

Mães envelhecidas são monumentos

Em destaque em praças abandonadas.

Muitos passeiam, visitam,

Por falta de divertimento melhor.

O lar virá praça 

Onde amores viram estranhos, 

Com visitas cronometradas

E tempo obrigatório reduzido.

Conversam pouco e

Voltam rapidamente a suas atividades.

Ninguém observa a corrosão do monumento, 

Se olham não enxergam,

Por saberem simplesmente que está ali.

Ninguém lê as informações 

Contidas nos olhares de dor,

Por acharem que tudo está bem.

Não enxergando a corrosão da solidão.

Dia e noite o monumento está ali,

Preservando a memória do passado,

Da família e dos amores.

O monumento aguarda um olhar, 

Uma leitura com carinho,

Atenção pelo elo do coletivo.

Quem sabe...

Abraços e mãos amigas

No seu vazio do dia a dia.

A praça perdeu sua graça, 

Sendo consumida pelo tempo

E mesmo assim tornou-se obrigação,

Com visitas frias e distantes,

Dando leveza à culpa do abandono.


Elise Schiffer

sábado, 27 de junho de 2026

Apenas um impulso. 06/2016


O Farol solitário sonha em servir.

No caminho há apenas o vento e o mar.

O vento pastoreia as nuvens de mansinho.

O mar vai e vem devagarinho, 

Enamorado pelo brilho do Farol.

O Farol solitário pisca iluminando suas noites,

Sem saber que as ondas do mar o observam.

O vento conduz as nuvens ao sabor de sua direção,

Levam refrigério a terra do Farol.

Perdido e solitário sem ter para onde ir,

O Farol solitário namora as nuvens,

Formando imagem de amor no céu.

As nuvens apaixonadas pelo mar 

Gotejam sentimentos em forma de carícias.

O mar apaixonado pelo brilho do Farol 

O vigia todas as noites refletindo seu coração.

O Farol, as nuvens e o vento….

Um impulso, apenas um impulso….

Que une a todos.


Elise Schiffer

06/2016

quarta-feira, 24 de junho de 2026

2922 - Lembranças imortais


Lembranças são imortais.

A dor da perda acaba,

As lágrimas secam,

O vazio torna se companheiro, 

O tempo corre dia após dia.

As lembranças ficam.


Lembranças são imortais.

Suas presenças preenchem a vida,

Irrigam sonhos que florescem,

Iluminam dias e noites,

Embelezam carcaças antes do fim.

As lembranças permanecem.


Lembranças são imortais.

Independentes de credo,

São apenas boas visitas,

Alegrando corações,

Dissipando a solidão.

As lembranças continuam.


Lembranças são imortais.

Tesouros protegidos a sete chaves,

Só os donos sabem a localização 

Dentro da alma e do coração,

Florindo uma primavera a cada dia.

As lembranças persistem.


Lembranças são imortais.

Pedaços celestiais que abraçam,

Sussurrando cantigas angelicais,

Dando conselhos a quem buscam

E adormecendo a saudade.

As lembranças sobrevivem.


Elise Schiffer

terça-feira, 23 de junho de 2026

2921 - Prisão no corpo (8 anos)


Oito anos apartados.

O silêncio subjulgou

Nosso pequeno mundo.

Oito anos de ausência.

As lágrimas secaram

Na estiagem de esperança.

Oito anos de desligamento.

A dor evaporou

Por total falta de ferrolho.

Oito anos de separação.

Sobreviveu a saudade

Resistente como Mandacaru.

Oito anos afastados.

As lembranças alimentam

A carcaça na prisão do corpo.

Oito anos.

O caminhar solitário 

Cruzou a marca de 2921 dias sem você.


Elise Schiffer

segunda-feira, 22 de junho de 2026

2920 - Amor inventado


Sem originalidade,

Sem profundidade,

Sem realidade,

Apenas um amor inventado,

Preenchendo 

A loucura original,

Profunda na alma ateia,

Sonhando dentro dos sonhos.


Sem credibilidade,

Sem cumplicidade,

Sem fidelidade,

Apenas um amor inventado,

Preenchendo 

O abandono genuíno,

Profundo na alma ateia,

No desterro da esperança.


Sem expectativas, 

Sem mão estendida,

Sem medo do próprio medo.

Apenas um amor inventado,

Preenchendo 

Sonhos sem originalidade,

Desejos sem profundidades,

Rompendo com a realidade.


Elise Schiffer

2920 - Mundo das lembranças


Lembranças 

Forças renovadoras,

Para quem vive 

No mundo paralelo 

Onde a saudade governa.


Lembranças 

Forças transformadoras

Onde segundos 

Viram séculos,

No portal dos apaixonados.


Lembranças 

Forças infinitas,

Viajando no túnel do êxtase,

Com olhos fechados 

E coração nas mãos.


Lembranças

Repetidamente todos os dias,

Ressuscitando juras e confissões,

Num filme que atordoa 

A dor da saudade.


Lembranças

Do perfume impregnado na alma,

Reafirmando que a vida é um jardim

Em simplicidade e rotina

Tal qual a esperança.


Lembranças 

Das estrelas no nosso céu,

Caminhos, jardins e descendências,

Sob a força dor amor,

Na denominação simples de família.


Elise Schiffer

domingo, 21 de junho de 2026

2919 - No silêncio


No silêncio ouço

A música do vento 

Enquanto afaga meu rosto.


No silêncio encontro 

A felicidade submissa 

No ciclo dia e noite.


No silêncio faço reverência 

Ao tempo, carcereiro da vida,

Que nos aprisiona em corações.


Elise Schiffer

sexta-feira, 19 de junho de 2026

2917 - Amores são como girassóis


Quando feliz 

Busque os olhares dos amores

E o dia ficará radiante.

Quando triste 

Busque os olhares dos amores 

E ficarás forte.


Apenas busque...


Quando sozinho

Relembre os olhares dos amores

Para iluminar o dia.

Quando solitário

Relembre balbúrdias e carinhos

Para iluminar a escuridão da solidão.


Amores são girassóis 

E iluminam o caminhar.


Elise Schiffer


* Na escuridão da noite, os girassóis cuidam um dos outros.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

2816 - Coração do poeta


O coração do poeta é cofre

Que abarrotado de amores,

Transborda poesia por não fechar.


Lembranças e versos

Reluzem a riqueza

Do tesouro que guarda.


Lugares, paisagens e árvores.

Pessoas, bichos e pedras.

São os amores do caminho.


O poeta ama, chora e gargalha.

Sonha, espera e delira.

Amando simplesmente por amar.


A vida é amar o próximo, 

O mais próximo do caminhar e

Escrever apenas as boas lembranças.


Elise Schiffer 


ar

quarta-feira, 17 de junho de 2026

2915 - Escritas e pronúncias de um poeta


Pronuncio seu nome

E nestes instantes 

A saudade sobe aos céus.


Fecho os olhos

E o vejo com a alma

Saciando minha saudade.


Escrevo palavras para ti

Remendando a saudade

Que virou retalhos.


Sonho no paraíso da mente

Mantendo-o vivo

Nas minhas lembranças.


Sem idas ou vindas

Após o sepulcro,

Só o amor permaneceu.


Sem tempo para  o "Nós"

Sobreviveu a certeza de que

O levarei após o fim.


Elise Schiffer

terça-feira, 16 de junho de 2026

2814 - Sonhos pequenos


Sonhos pequenos 

Não enxergam o horizonte 

Nem alcançam as nuvens.


Sonhos pequenos 

Alimentam a mente tola

Que não ambiciona.


Sonhos pequenos

São frágeis balões 

Que não atingem os céus.


Sonhos pequenos 

São frágeis e desnutridos

Dá vitamina esperança.


Elise Schiffer

2914 - Passado morno


Passado morno

Recheado de lembranças.

Minúcias guardadas 

Com desvelo no coração,

E um chão solitário 

Onde só brota solidão.

Pés calejados 

Caminhando sobre a solidão.

Mente borbulhante

Declamando saudades.

Mãos semeando

Sonhos que não germinam.

Estrada longa

Sem horizonte ou chegada.

Carcaça cansada 

Suplicando pelo fim.


Elise Schiffer

2914 - Reencontros


Reviravoltas no percurso 

Fortalecem a jornada infinita

De almas que se reencontram.

Nada apagará sua existência em mim.


Reconhecimento de jornada 

É raiz profunda sustentando 

A enorme copa de sonhos. 

Nada apagará seu canto nos meus versos.


A distância e o silêncio 

Não são suficientemente fortes

Para nocautear lembranças.

Nada apagará o nós em mim.


De Elise Schiffer para Rosemberg 

2914 - Um terço


Um terço que venceu o tempo

Com fases emocionais.


Amor que tocou o céu.

Amor que embalou lembranças.

Amor que cuidou delicadamente. 

Amor com amores recíprocos.

Amor revolucionário.


Um terço de saudades 

Sem pressa com rumo certo.


Amor vencendo o tempo

Com "Eu te amo" poético.

Saudades com asas

Voando até os céus.

Momentos delicados

Inundando a alma.

Caminhos de mão dupla

Interligando corações recíprocos.


Um terço de ausência 

Vencendo a demora do reencontro.


A saudade abriu trilhas 

Na floresta da solidão.

Porque somos corações pacientes,

Corações cuidadosos,

Revolucionando "O amar"


Elise Schiffer

Poetisa e Poetizar


Insensatez e imaginação 

são as palavras que definem 

o inconsciente de um poeta.

Ser incapaz de caminhar 

junto a sociedade repressora.

Os olhos do poeta 

enxergam o interior da alma, 

o pulsar do amor 

e a dor que evapora 

pelo poros dos apaixonados.

Os poetas voam 

com as asas da imaginação.

Gemem pela insensatez,

pulsando o amor 

que a sociedade não enxerga.

Os poetas poetizam 

insensatez e imaginação.


Elise Schiffer

06/2017

Somos. Ano 2014








Somos 

Cópia sim.

Declaração de amor sim.

A vida une corações 

que ao longo da estrada 

se tornam apenas um. 

Assim somos 

casal, 

amigos, 

companheiros, 

país, 

célula familiar 

é um só coração. 


Elise para Rosemberg.

16/06/2014

segunda-feira, 15 de junho de 2026

2913 - Fases da vida












Fases diferentes da vida

Coabitam na mesma raiz,

Revelando belezas diferentes,

No existir do agora 

Com certezas e medos,

Do definhar e florescer da vida.

Fases diferentes do estar,

São aprimoramentos

Evolutivos do crescimento,

Aparando espinhos do pretérito.


Elise Schiffer

sábado, 13 de junho de 2026

2911 - Momentos


Há momentos 

Que a saudade 

É tão forte

Que podemos toca-la. 


Há momentos 

Que as lembranças 

São tão vivas

Que podemos revive-las.


Há momentos 

Que saudade e lembranças 

Eliminam a lucidez 

Abrindo espaço à loucura.


Há momentos

Que loucura e morte

Ficam amasiadas

E enganam o tempo.


Elise Schiffer

sexta-feira, 12 de junho de 2026

2910 - Innamorare


Estar em amor.

Algumas pessoas 

Não partem...

Não desaparecem...

Apenas permanecem.


Estar em amor.

O corpo finda-se,

A alma parte,

Mas o olhar fica,

Na alma dos que ficaram.


Estar em amor.

É deixar no outro 

Um pedaço da dedicação,

Da vontade de seguir em frente 

E o melhor do coração.


Estar em amor.

É vencer a tristeza e seguir.

Viver dias felizes e seguir.

Ter paciência com o tempo e seguir,

Porque amores não desaparecem.


Elise Schiffer

quinta-feira, 11 de junho de 2026

2909 - Cacos de um amor


Juntei cacos de lembranças 

E os transformei em sonhos.

Juntei cacos de palavras 

E os transformei em versos.

Juntei sonhos e versos 

E os enviei para ti pelo vento.


Juntei cacos do meu amor

E criei um mosaico de recordações.

Juntei cacos de decepções 

E os transformei em jardins.

Juntei recordações e jardins

E flori minha infinita saudade.


Elise Schiffer

quarta-feira, 10 de junho de 2026

2908 - Saudades do quê?


Dos dias bem vividos

E dos amores bem amados,

Que deixaram saudades.


Saudades que cabem

Nos muitos amores e 

Nas infinitas lembranças.


Saudades das limitações humanas,

Da leveza dos tropeços no caminhar 

E das simplicidades nos olhares.


Saudades dos risos sem motivo, 

Do dançar no silêncio 

E dos sussurros sem pudor.


Saudades das lutas com respeito,

Das floradas nas estiagens

E das lágrimas que rolaram juntas.


Saudades infinitas

Dos amores bem vividos 

E dos dias de súplicas.


Saudades das mãos que sangraram,

Das dores que passaram

E da saudade que ainda é saudade.


Elise Schiffer

2906 - Palavras da vida

Escrever é saudade?

Ou escrever é sonhar

No tempo livre com loucura?

Escrever é eternizar o simples.


Escrever para quem?


Para os cachorros que dormem,

O passado desperto,

O futuro que cochila

E o presente que choraminga.


Escrever com platéia.


Plantas buscando o sol frio

Do outono da vida e do tempo,

Um avião que interrompe o silêncio

Transportando expectativas.


Platéia ou leitores?


Somente palavras que brincam

Com a voz da mente,

Flertam com o coração vazio

E sapateiam nas mãos.


Onde estão os leitores?


Na loucura do próprio escritor,

No avião que passa longe,

Nós cachorros quando despertos 

E nas plantas silenciosas.


Quem ouve?


As próprias palavras que falam 

E ouvem sobre tudo,

Além de abraçarem o escritor,

Que sente o frio do vazio.


O que fica no literário?


Personagens que amam,

Versam e seguem

A carcaça fétida do escritor 

Que já abalou autrora.


Elise Schiffer

domingo, 7 de junho de 2026

2905 - Ser sobra


A alma de porcelana 

Vive a estação 

De ser "sobra".


Louça que existiu

Para servir diariamente 

E trincou pelo abandono.


O abandono que dilacerou

A pintura já senil

Cheia de aconchego.


A senilidade da porcelana 

Rachou o esmalte já sem brilho

Com marcas sem conserto.


Elise Schiffer

quarta-feira, 3 de junho de 2026

2901 - Teatro da vida


O fim da vida é um espetáculo

Silencioso para o protagonista.

A minguada plateia saboreia,

Pequenos ecos que rasgam

O silêncio sepulcral do palco.


No cenário do palco

Palavras e recordações 

Bailam formando imagens

Classificadas como

"Obras de arte do amor".


Silêncio é condição ocupada

Por lembranças em preto e branco,

Que fortalecem cenas difíceis,

Cumprindo o tempo do espetáculo 

Sem mudar a essência da peça.


Elise Schiffer

2901 - Turbilhão da saudade


Minhas palavras 

São um céu turbulento 

Onde a saudade 

Se faz tempestade.


Minhas entrelinhas 

São sonhos e lembranças 

Dando formas

Ao imaginário apaixonado.


Minha poesia 

É ponte unindo

Céu e terra no mundo

Onde só os loucos vivem.


Versos sem rimas 

Com duplo sentido 

Expressão o turbilhão 

Da saudade.


Elise Schiffer

2901 - Paleontólogos do amor


Poetas são paleontólogos 

Do mais nobre sentimento 

Preservado pela humanidade.

-  O amor.


Suas ferramentas 

São palavras e versos

Esmiuçando vestígios 

Dos amores vividos.


Amores preservados 

No passado do coração 

Sinalizam vestígios vivos

Da caminhada amorosa.


A poesia permite 

Uma compreensão

Ampla do amor 

Em todas as suas ramificações.


Elise Schiffer

terça-feira, 2 de junho de 2026

2900 - Senilidade


A senilidade 

É sufocada aos poucos,

Em prol do bom convívio.


É a estação dos disfarces 

Onde fingir é não perceber,

Humilhações sociais.


A senilidade 

É  sufocada aos poucos,

Por olhos que não vêem a carcaça.


É alma que ama em silêncio 

Nas orações sem apego,

Não incomodando o vazio juvenil.


Elise Schiffer

segunda-feira, 1 de junho de 2026

2898 - Nudez do desamor


Pequeninos laços de fita 

Uniam palavras e versos,

Tentando encobrir a nudez

Da alma carente de amor.


Alma desnuda pelo desamor 

Fingiu acreditar no amor,

Surfando nas ondas dos sonhos 

Que povoavam seu coração vazio.


Pequeninos laços de fita 

Encobriam a realidade sem amor,

Enfeitando sonhos e fantasias 

De um talvez eterno amor.


Alma desnuda de amor 

Mudou "uso" para "sonho de amor"

E cavalgou nas palavras e nos versos,

Vivendo um amor inventado.


Os pequeninos laços de fita 

Cresceram em tamanho e quantidade,

Porque palavras e sonhos 

Não encobriam mais a nudez do desamor.


Alma desnuda cobriu-se de contos, 

Escreveu romances e os vestil,

Para que o calor das paixões 

Aquecesse o seu desamor.


Elise Schiffer

domingo, 31 de maio de 2026

Cansaço II ano 2014


Cansaço... 

Carcaça pesada.

Morrer ja não basta.

Trabalhar...

Carcaça pesada.

Responsabilidade é trabalho.

Cansaço... 

Carcaça pesada.

Caminhar é trabalhar.

Persistir...

Carcaça pesada.

Cuidar do amor é trabalhar.

É o gens da sobrevivência.

Cansaço...

Carcaça pesada.

Prosseguir sempre e

não parar nem para morrer...


Elise Schiffer

31/05/2014

quinta-feira, 28 de maio de 2026

2895 - Indo aos sonhos...


Dou lhes versos de amor,

Lambuzados com saudades,

Que caminham de mãos dadas

Com nossos corações.


Enfeito a vida com lembranças, 

Unindo passado e presente,

Colorindo nosso lar com imagens

Ligando nós dois.


Coloco seus sussurros 

Sonorizando nosso lar 

E danço alegrando minh' alma,

Com sua voz melodiosa.


Deito-me nas entrelinhas 

Descansando a carcaça fétida 

E deixo-me adormecer.

Indo aos sonhos...


Elise Schiffer

segunda-feira, 25 de maio de 2026

2892 - Esperança repartida


Cada verso escrito

É uma dor arrancada do peito.

Cada poesia compartilha

É uma esperança repartida.

Escrevendo assopramos

Amor pelo mundo

E a vida é surpreendida 

A cada poesia que nasce.


Elise Schiffer

2892 - Estrada e palavras


Estrada florida com palavras.

Perfumando sonhos de escritores.

Acariciando mãos calejadas

Pela força da escrita.


Quando a inspiração mingua,

A estrada é regada com novos sonhos,

Que florescem e vão longe 

Até os corações dos leitores.


Estrada florida com palavras.

Perfumando versos de amor e

Absorvendo o sal das tristezas 

Que borbulham no coração dos escritores.


Escritas que fortalecem sonhos,

Com palavras solitárias

Em folhas de saudades sobre a mesa,

Expondo seu amor a todos.


Elise Schiffer

25/05/2014

domingo, 24 de maio de 2026

2891 - Para sempre


Encontre vida nas palavras

E sobreviva nas entrelinhas,

Aprendendo com os versos 

O verdadeiro significado

Da expressão "para sempre".


Palavras dão asas à imaginação 

E coração as poesias.

Assim a porta do cotidiano 

É aberta para observar a vida 

Na plenitude do "para sempre".


Elise Schiffer

Somos ou Fomos?











Uma consoante e toda sua força.

08/08/2012 (Poços de Caldas/MG)

Somos assim...

Somos simplesmente

Um único coração.

23/06/2018 (Rio de Janeiro)

Fomos assim...

Fomos simplesmente

Um unico coração.

O tempo trocou o S pelo F.


Elise Schiffer

sábado, 23 de maio de 2026

2890 - Saudade


Saudade é frio de alguém 

Ou até mesmo de lugar.

Um frio que anoitece 

O coração e o céu.

Tudo adormece.


Saudade não consola

Ausências dos bons dias,

Só germinando boas lembranças 

Que fazem companhia.

Os dias viram fotografia antigas.


Saudade é um caminhar 

Num jardim sem flores.

Ciente de que há vida

Sem aroma ou cor.

Raizes e alma forçam a sobrevida.


De Elise Schiffer para Rosemberg 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

2889 - Olhar as estrelas


Carcaça senil

Com resquícios infantis, 

Olhando o céu com esperança,

Buscando estrelas madrinhas

Para pedidos secretos

E acalento da saudade.


Carcaça senil 

Com sonhos secretos 

Observando a magia das estrelas,

Suplicando por um retorno.

A volta de quem foi ou

A ida de quem ficou.


Elise Schiffer

quinta-feira, 21 de maio de 2026

2888 - Mar dos sonhos


Tentando fugir da realidade,

Navegamos pelo mar 

Dos sonhos esquecidos.

Tantos são os sonhos

Pequeninos e grandiosos

Que o mar virá um oceano.


Cansado dos desamores,

Desejando apenas acolhimento, 

Mergulhamos no oceano dos sonhos 

E nos deixamos acolher pelas águas

Indo até às profundezas "do nós"

Onde sonhos e poesia se fundem.


As palavras são âncoras "do nós",

Impedindo a emersão 

Do oceano dos sonhos,

Onde viver a fantasia trás vida,

Contrastando com a realidade cruel

Do abandono no presente.


Elise Schiffer

2888 - Andante do norte


Cavalheiro andante do norte

Com um livro na mão 

Buscando por novos caminhos 

Em terras pretéritas.


Cavalheiro moreno do norte

Levando livro e coração 

Como parte de um amor

Com linhas sublinhadas.


Cavalheiro andante do norte

Sangue forte desbravador

Não venceu preconceitos e partiu

Levando um coração dentro do livro.


Elise Schiffer

quarta-feira, 20 de maio de 2026

2887 - Sem nome


Doídos corações juvenis, 

Que sem conhecer nomes,

Amam muito, muito em sonhos.


Doidas paixões 

Que crescem em fervor

Deixando os dias inquietantes.


Poucas palavras,

Poucos encontros

E uma paixão viva.


A fantasia era cúmplice,

No arder da juventude.

Amando sem conhecer nomes.


Sensatos corações maduros.

Que sem conhecer nomes,

Recordam amores juvenis.


Risos vagam no presente,

Desnudando fantasias do passado, 

Que se esvaem com a maturidade.


Boas lembranças 

Perfumam a maturidade,

Com recordações juvenis.


Ficam lembranças sem nome, 

Ficam diálogos vagando e

Um livro a ligar corações juvenis.


De Elise para Renê

2887 - Entardecer


No final das tardes,

Espero por uma palavra,

Uma única palavra, 

Que lembre seu nome e

Perfume o entardecer dos dias. 


No final de cada dia,

Espero por uma visão, 

Uma única visão, 

Que acolha meu coração e 

Aqueça a saudade.


No final de cada amanhecer,

Espero por uma declaração, 

Uma declaração de amor,

Que em forma de oração 

Sussurre "eu te amo".


No final dos meus dias,

Espero por uma chuva, 

Uma chuva de pétalas, 

Que tragam seu perfume

Ao meu entardecer.


Elise Schiffer

terça-feira, 19 de maio de 2026

2886 - Vôo das palavras


A saudade pariu 

palavras com asas.

Formando bandos 

de versos nos céus,

Voando rumo aos sonhos

dos amores apartados.

Asas fortes vencendo

horizontes distantes,

Delimitando o amar

e  o esquecimento.


Elise Schiffer

segunda-feira, 18 de maio de 2026

2885 - Calçada poética








Transformei os dias 

Em belas caminhadas.

Transformei a vida 

Em casa para a alma.


Transformei as caminhadas

E casa para a alma,

Em versos de amor

Eternizando os momentos.


Custumizei o dia a dia 

Com flores de todos os tipos,

Dando nova roupagem

Ao cotidiano e aos amores.


Versos sem rimas

Abotuaram sonhos com realidades.

Assim caminhos de cascalhos

Viraram calçadas poéticas.


Elise Schiffer

domingo, 17 de maio de 2026

2884 - Peso invisível


Senilidade.

Decrepitude distanciando amores.

Ser...

Apenas ponto de visitação,

Elo pelo ZAP - tudo bem?

Relés cuidadora dos distantes.

Provedora invisível aos corações.


Senilidade.

Decrepitude que incomoda amores.

Ser...

Apenas ponto de obrigação,

Livramento de remorsos.

Carcaça em dias de comemorações.

Erário familiar.


De Elise Schiffer para Márcia.

sábado, 16 de maio de 2026

2883 - Roda do tempo


O tempo é uma roda,

Repetindo vivências 

Em solos diferentes.


Momentos distintos  

Renascem dores antigas

Trazendo ensinamentos.


Arrependimentos e aprendizados

São ensinamentos

Da roda do tempo.


Momentos cruéis vividos 

Com novas roupagens no hoje

Purificam corações pesados.


Elise Schiffer

2883 - Mundo de palavras









Com palavras

Aprendi a ler e foi meu big bang.

Com palavras e amor

Fiz bilhetes e cartões na infância.

Com palavras e versos

Transformei a maturidade em poesia.

Com palavras e sonhos

Ergui meu paraíso.

Com palavras e companheirismo 

Edifiquei meu lar.

Com palavras, amor e filhos

Construí uma família.

Com palavras e saudades

Traduzi dores e lembranças.

Com palavras e determinação 

Gerei meu próprio mundo.


Elise Schiffer

sexta-feira, 15 de maio de 2026

2882 - Passado


O passado é um lugar

Habitado por pessoas amadas, 

Que vivem, riem e choram 

Por não haver mais futuro.


No passado vivem amores

Que visitam os sonhos noturnos

E deixam um rastro de alegrias

Brincando com a saudade.


O passado é um lugar

Que preserva a felicidade vivida,

Acalma a saudade infinita

E ilumina o caminho para o futuro.


Elise Schiffer

quinta-feira, 14 de maio de 2026

2881 - Gostar


O verdadeiro gostar permanece,

Mesmo longe dos olhos.

Guardado dentro da alma.

O verdadeiro gostar é raiz profunda,

Nutrindo-se dos dias vividos.


O gostar precisa ser sereno,

Apoiado-se na confiança mútua.


O verdadeiro gostar permanece,

Como semente adormecida.

Preservando o amor.

O verdadeiro gostar floresce

Em todas as estações da vida.


O gostar precisa ser de alma

E não da carcaça temporária.


Elise Schiffer

2881 - Sem promessas


Sem promessas caminhamos.

Olhares traduziram as promessas.

O sentimento chegou e foi ficando.

Tornando se proprietário do coração.


O amor do agora limpou o passado.

Floriu os dias e cantarolou...

O coração tornou se casa iluminada,

Acolhendo a todos que estavam só.


Sem promessas, só olhares,

O amor edificou uma família.

Novos dias fortaleceram o núcleo

E tudo ao redor floriu união.


Elise Schiffer

quarta-feira, 13 de maio de 2026

2880 - Sou rio


Sou rio represado 

Encarcerado pelo tempo.

Minhas margens não tem vida,

Minhas águas são insalubres.

Nas profundezas guardo sonhos

De um dia chegar ao mar.


Sou rio represado 

No lago profundo do passado.

Fui nuvem com águas flutuantes.

Serei mar aconchegante e silencioso.

Sei o que fui e o que desejo ser,

Apenas o tempo não dá alforria.


Sou rio represado 

Sem beleza e muitos sonhos.

Minhas correntezas represadas

São vida a observar em silêncio,

Corações que me olham

E não me enxergam.


Elise Schiffer

terça-feira, 12 de maio de 2026

2879 - Juras perdidas


Juras perdidas pelo caminho

Deixam sonhos e palavras soltas,

Que entrelaçam se com o tempo

Formando poesias que adornam 

Corpos cansados e cabelos brancos.


Juras perdidas pelo caminho

Deixam a dor da ausência

Transformada em lembranças,

Que refrescam como brisa

A saudade que desidratou.


Elise Schiffer

segunda-feira, 11 de maio de 2026

2878 - Mãe


Duas vidas.

Uma recebendo vida,

Outra chegando pra vida.

Unidas pelo umbigo afetivo.


Vida são dias vividos 

Com amanheceres nas almas,

A qual denominamos "Lar"

Onde viveremos por longo período.


Antes do retorno

Imploramos uma porta aberta

No coração sagrado

Na qual chamaremos "Mãe".


Elise Schiffer

domingo, 10 de maio de 2026

2877 - Há vida, onde há amor


Há amanheceres especiais 

Tal qual os sonhos 

Onde lua e sol se encontram 

E ambos podem se tocar.


Há sonhos especiais 

Tal qual um presente vivo

Onde passado e presente

Podem se encontrar.


Há noites especiais

Tal qual o despertar num paraíso

Onde o beijo permanece nos lábios 

Após o despertar.


Há momentos especiais 

Não vividos no passados

Que colorem os sonhos

Com o sabor de vida.


Elise Schiffer

sábado, 9 de maio de 2026

2876 - No tear do tempo


Tosquiei o luto

Arrejando a alma, 

Que já não respirava.


Com os fios da lã

Do passado vivo

Teci milhares de palavras.


Escrevendo versos 

De amor e lembranças

Que virassem companhia.


No tear do tempo

Uni bem forte 

A trama da tecelagem.


Criando poesias

Resistentes e fortes ao tempo

Capaz de aquecer a saudade.


Elise Schiffer

quinta-feira, 7 de maio de 2026

2874 - Descobertas

 










Sou árvore, rocha e mulher

Buscando evolução. 


Sem amor 

Aprendi a fazer me companhia.

Sem leitor 

Comecei a declamar meus versos.

Sem fã 

Permiti-me admirar minha arte.


A solidão ensinou me

Unir raízes com flores.

Descobrindo o valor

Que carrego dentro de mim.

Sou a melhor companhia

De mim mesma.


Sou uma escritora pulsante

Com versos que borbulham.

Sou minha maior fã 

Pelas lutas e conquistas na vida.

Sou guerreira incansável 

Vivendo um dia por vez.


Sou árvore mãe, avó e amiga

Que enverga mas não quebra.


Elise Schiffer

quarta-feira, 6 de maio de 2026

2873 - Sem presente ou futuro


Não podendo te tocar

Toco minh'alma com versos

Desenterrando você 

Nas entrelinhas 


Não podendo te ouvir

Declamo estrofes ao vento

Na esperança que "Nós" 

Estejamos vivos nas entrelinhas.


Não podendo esquecê-lo

Briguei com o tempo

E o transformei em lembranças 

Mantendo assim nossa união.


Não podendo caminhar 

sem você 

Rompi dez vez com o tempo

Voltando a viver no passado 

Sem direito a presente ou futuro.


Elise Schiffer

2873 - Sepultar a dor

 

Ao sepultamos a dor

Permitimos que a saudade

Floresça mansamente

Com rosas de lembranças 

Perfumando dias vazios.


No jardim das lembranças 

Sentamos no banco vazio e

Repousamos a carcaça cansada

Usufruindo do refrigério 

Dos momentos vividos.


Elise Schiffer

terça-feira, 5 de maio de 2026

2872 - Cardume de rosas










Muitas palavras

Nenhum papel e meia caneta.


Pensamentos...

Muito a dizer.

Gestação de versos

Para um único destinatário.

Mente livre viajando

Onde a carcaça não pisa.


Muitas palavras

Um mar de sonhos novos e velhos.


Miragens...

Instantes de amor.

Conduzindo a carcaça fétida

Por cardumes de rosas.

Passado e presente se fundem

Em ondas dos dias vividos.


Muitas palavras 

Nenhum papel e meia caneta.


Elise Schiffer


* estou sem folha para escrever kkk

segunda-feira, 4 de maio de 2026

2871 - Sentimentos


Saudade é sentimento 

Escrito e vivido em poesias.

Saudade é sentimento

Silencioso em versos.


O silêncio da saudade 

É gestacional para poesia.

Versos de paixão 

Dão sobrevida às lembranças.


Saudade é sentimento 

Que contempla o passado.

Saudade é sentimento 

Que arde em palavras.


O silêncio da saudade

Estremece o fenecer.

As entrelinhas da poesia

São parideiras de sonhos.


Elise Schiffer

sábado, 2 de maio de 2026

2869 - Como


Como desocupar o coração, 

Quando a presença é corpulenta,

Espaçosa e sem limite.


Como viver o luto persistente 

Quando a presença das lágrimas 

Chegam à estação da estiagem.


Como alterar a cor da saudade

Quando a presença é marcada

Pela força, cor e aroma do ébano.


Como conviver com o vazio,

Quando o passado povoa a mente

A cada instante do dia e da noite.


"Como" advérbio sem resposta

Quando o protagonista morre

Virando apenas lembranças.


Elise Schiffer

quinta-feira, 30 de abril de 2026

2867 - Rio de canetas











Naveguei num rio de canetas.

Semeei palavras pelas margens

Secas de vida e liberdade.


Palavras semeadas 

Viram árvores de palavras

Com sementes de cultura,

Que são levadas pelos ventos.


As folhas de palavras chegaram longe

E as sementes da escrita

Fecundaram corações incultos.


Elise Schiffer

quarta-feira, 29 de abril de 2026

2866 - Orando nas entrelinhas


Escrever é pura religião,

Onde o respeito e a reverência 

Habitam na casa do amor.


Palavras que formam versos

Conduzem ao Éden da saudade 

Irradiando poesias de amor.


Canetas formam rios de palavras,

Navegando rumo ao mar dos sonhos,

Onde é possível reviver o passado.


Assim não podendo estar contigo,

Enrolo-me nos versos 

E adormeço orando nas entrelinhas.


Elise Schiffer

terça-feira, 28 de abril de 2026

2865 - Antes de tudo


Antes de conhece lo,

Antes de tudo.

Tu já eras conhecido

Pelo meu coração.


Eu o via nos jardins, 

Nas árvores, nos livros,

Em cada por do sol 

E nas nuvens.


Antes de conhece lo,

Antes de tudo.

Seu coração 

Chamava pelo meu.


Seu rosto 

Já era conhecido 

Dos meus sonhos 

E da escrita sem rima.


Antes de conhece lo,

Antes de tudo.

Meu reflexo já estava

Em seus olhos.


Elise Schifffer

2865 - País dos sonhos


Neste país palavras e escritas 

Tem maioria no parlamento.

Preocupações e sensatez 

Perdem-se nos labirintos amorosos.


Sonhe!


O portal dos sonhos é livre 

E a vida se movimenta rápido 

Como nuvens no céu, 

Em dia de tempestades.


Confie!


O tempo corre sem rédeas

As turbulências se dissipam

Nos redemoinhos dos sonhos 

Porque o país dos sonhos é livre.


Realize!


Elise Schiffer

2865 - Florir novamente


Queria poder passar

A saudade sem palavras.

Porque me tornei espera

No passado do futuro.


Papel e caneta são companhias.


Queria ser semente

Levada pelo vento,

Para chegar em seu jardim 

E florir novamente.


Revivendo o passado.


Elise Schiffer

segunda-feira, 27 de abril de 2026

2865 - Usei e abusei das palavras


Marquei a vida 

Em folhas de papel

Com palavras gritando

Saudades e amores.


Trilhei caminhos 

De sonhos e sonhos

Debruçando tudo

Em linhas infinitas.


Sonhei por ser grátis 

Porque pobre já nasce 

Rico de sonhos

Nutrindo corpo e alma.


Usei e abusei

Da escrita livre

Deliciando me com os sonhos 

Nas entrelinhas dos versos.


Elise Schiffer

2864 - Agrupar sonhos


Agrupando sonhos 

Ergui um castelo

Sobre um brejo

E fui rainha.


Agrupando sonhos

Imaginei transformar 

Um sapo em lord

E fui lady.


Agrupando fantasias

Teci fios de palavras 

Para versar a saudade real

E fui solidão.


Agrupando sonhos 

Maquiei a realidade 

Transformando-a em amor

E fui miragem para o mundo.


Elise Schiffer

sexta-feira, 24 de abril de 2026

2861 - Palavras não alforriadas


Por mais que se escreva,

As palavras não chegam ao amor.

Saudade é domínio pleno,

Com palavras não lidas,

Canetas que se esvaem em vão,

Papel colhendo versos sem leitores e

Leitura sem ressonância.


Por mais que se escreva, 

As palavras não são alforriadas

Da escravidão da saudade.

São apenas palavras invisíveis,

Escritas por canetas infinitas,

No papel úmido por lágrimas e

Leitura sem paixão.


Elise Schiffer

2861 - Coração jardim


Olhares, abraços e carinhos

Transformam-se em semente

Que germinam na alma

Florindo o coração.


Coração jardim

É onde habita a saudade.

Saudade cheia de gratidão 

Purificando a solidão.


Elise Schiffer

2861 - Saudade


Saudade 

seu sobrenome é passado.

Saudade 

de cada passo dado pelo caminho.

Saudade 

da vontade de voltar para casa.

Saudade 

do lanche com bolo nos finais de semana. 

Saudade 

de avista-lo à minha espera.

Saudade 

do beijo ao sair e voltar.

Saudade 

só saudade.


Elise Schiffer

quinta-feira, 23 de abril de 2026

2860 - A sina dos sonhadores


Escrever versos e sonhos

Negando desamores e finais,

É a sina dos sonhadores

Metamorfoseando se em escritores.


Palavras versadas por um sonhador 

Descrevem amores, saudades,

Abandonos ou indiferenças

Ocultas nas entrelinhas da alma.


Sonhadores aprisionam o bom

Em versos de saudades,

Que só os escritores compreendem

No seu mundo de palavras.

 

Este mundo paralelo 

De sonhos e solidão

É onde os escritores conjugam 

O verbo amar em todos tempos.


O passado feliz oscila

Entre o presente melancólico

E o futuro incerto

Para os que escrevem.


O coração do escritor 

Borbulha amores

Aguardando por escritas,

Em mãos sonhadoras.


Palavras que negam a realidade

Perpetuam no coração e na alma

O instante sagrado

Das paixões vividas.


Elise Schifffer

23 de Abril. Dia mundial do LIVRO


 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

2859 - Alma vazia


Alma vazia

Virou areia do deserto

Ao aceita com mansidão 

O deboche do tempo

Com a saudade.


Alma vazia 

Viaja com o vento

Atravessando desertos,

Com leveza no coração

E dor no olhar.


Alma vazia

Deixa grãos pelos caminhos,

Grãos de areia carregados

De amores, tristezas, sonhos

E segue em frente.


Elise Schiffer

Magia dos sonhos - Mini conto

Magia dos sonhos - Mini Conto.


Elise ouvia durante o café da manhã os comentários de seus familiares sobre os sonhos noturnos.

A doce menina extasiava-se com as histórias e desta forma descobriu a magia dos sonhos.

Com o passar dos anos, o tempo de alguns passaram e de outros chegaram.

Elise cresceu e deu asas a seus sonhos, os transformou em textos e seus textos em livros e os livros em sonhos. 

Hoje Elise  é contadora de sonhos.


Elise Schiffer

segunda-feira, 20 de abril de 2026

2857 - Amar em versos


Só sei te amar 

Com palavras.


Caminho em sua direção 

Com meus versos.

Abraço te 

Com minhas poesias.

Nas entrelinhas 

Entrego-me a você.


Só sei te amar 

Com palavras.


Venço a distância 

Com versos.

Declamo ao vento

Poesias só suas.

Vivo sonhos eternos

Nas entrelinhas.


Só sei te amar 

Com palavras.


Elise Schiffer

domingo, 19 de abril de 2026

2855 - Indiferença


A indiferença,

No solo sagrado dos sonhos, 

Assassina a loucura que ama

E vende se por lembranças.


Encontros e desencontros

Afetam o compasso da vida,

Que sonha apesar da dor,

No latifúndio do abandono.


Jardins, passeios e bancos,

Expõem o passado e a loucura.

Olhares cruzados fortemente 

Gelam diante da indiferença.


O olhar firme

No reencontro desejado,

É impregnado pelo desprezo 

Que contamina o local.


Sonhos que machucam 

Sonhos que confrontam

Sonhos que abandonam

Sonhos que matam.


Elise Schiffer 


18/04/26

sexta-feira, 17 de abril de 2026

2854 - Estais em mim


Estais em mim,

A tal ponto, 

Que não me encontro. 


Ocupastes

Todo o meu espaço,

Assim sou puro silêncio.

 

Nossas vidas juntas, 

Nossas mãos separadas

E tu vivo nas saudades.


Restou um só caminho

Sem nada a dizer.

Só silêncio e sentimento.


As lembranças 

Desenham versos

Que traduzem sentimentos.


Não há mais encontros

Como antes,

Porque o sonho acabou.


Estais em mim

A tal ponto

Que não sei onde estou.


Não há encontros

Para dois em um,

Nem caminho de volta.


Elise Schiffer

quinta-feira, 16 de abril de 2026

2854 - Rotina vazia


Rotina vazia 

São sonhos sem amor.

Um longe eterno que cansa,

Exaurindo corpo e alma.


O futuro com meia vida

É hospitalização certa dos sonhos,

Com morte súbita 

Por negligência da esperança.


A ausência empobrece 

Lembranças e aprofunda saudades,

Substituindo a compreensão por revolta, 

Com o Tempo sem consciência.


Pensamentos e lembranças,

Precisam de reflexões sadias,

Num futuro deteriorado,

Por total falta de sonhos.


Elise Schiffer

2853 - Asas tardias


Asas tardias

Apesar da demora, mudam o viver.

O vôo tardio 

Desbrava sonhos hospedados nas nuvens.

Buscando a existência de um depois,

Na união do corpo com os sonhos.


Asas tardias

Voam além do céu e da terra,

Porque asas tardias 

São fortes, confiantes e sem medos.

Vento e asas são poemas 

Com versos de resistência a servidão.


Asas tardias voam 

Sobre rios de flores,

Levando sementes 

Que abrandam mágoas,

Dissipam espinhos 

E florindo o chão da desilusão.


Elise Schiffer

quarta-feira, 15 de abril de 2026

2852 - Caminho silencioso da escrita


Palavras sem sentido 

Para muitos não leitores,

Alcançam corações especiais 

Que crêem no oculto das palavras.

Um breve instante nas entrelinhas

Para o reencontro de amores e desamores.


Poesias não são para lúcidos,

Elas destinam se aos loucos,

Que sem lucidez brindam os sonhos

Com entusiasmos contagiantes.

Versos aquecem os sonhos 

E alegram corações.


A escrita beija o papel 

Edificando castelos de histórias.

Amar, esquecer e recomeçar 

São trajetórias dos sonhadores,

Que renovam se a cada dia

Com um novo sol ao amanhecer.


Palavras, versos e poesias

Trocam carícias silenciosas.

Livros e leitores unidos são

Imortais ao tempo real.

Assim evoluem juntos

Palavras, livros, leitores e a paixão.


Elise Schifffer

domingo, 12 de abril de 2026

2448 - Portais


Só os loucos 

Atravessam portais.

Sem religião ou ciência 

Chegam ao impossível,

Atravessando mundos,

Vidas e mortes,

Encurtando distâncias e

Dissipando saudades,

Com escritas, divagações 

E transitando pelos tempos.

Há portais na loucura 

Que só os apaixonados 

Conhecem e transitam.

São os passageiros do amor,

Por amor e pelo amor.

Transitando entre mundos,

Sem credos ou pesquisas,

Buscando apenas o retorno. 

Porque chegar é preciso 

Para dissipar saudades,

Sabe se lá do que.


Elise Schiffer

sábado, 11 de abril de 2026

2848 - Escrevendo


Escrevendo, posso tocá-lo.

Trançando lembranças e sonhos,

No tear da vida,

E cobrir-me com a manta da saudade.


Escrevendo, posso ouvi-lo.

Na melodia pulsante do coração. 

Sonorizando os dias vazios 

E fazendo o corpo pular de alegria.


Escrevendo, posso estar contigo, 

Na loucura de escritor e leitor.

Minhas palavras são flores para ti,

E o perfume das flores meu acalento 


Elise Schiffer

sexta-feira, 10 de abril de 2026

2847 - Sem hora marcada


Todo verso 

Rima como desejar,

No mundo das entrelinhas.


O amor 

Conjuga seu gostar 

No tempo da felicidade.


A saudade 

Declama lembranças 

Sem hora marcada.


Para versar a vida

Basta a gramática 

Do coração e da alma.


Amor é liberdade.

Saudade é imensidão.

Escrever é satisfação.


Elise Schiffer

quinta-feira, 9 de abril de 2026

2846 - Amor inventado


Amor inventado com versos,

Cabe nos moldes da paixão. 

Enaltecendo a ilusão da felicidade

E o prazer moderado vivido.


Dois. Um ama o imaginário 

E o outro usufrui da mentira.

É a união da conveniência.

Dois gozando prazeres diferentes.


A farsa do luto apaixonado,

Encobre a união do desamor.

Exaltando um amor inexistente,

Onde brincar de família foi e é a lei.


Elise Schiffer

2846 - Viver nas palavras


Fiz do amor distante, 

Poesia viva em meus dias.

Assim, permanecemos unidos,

Respirando traços de palavras.


Nosso amor vivo

Mantém encontros diários,

Nas entrelinhas dos versos 

No horário da saudade.


Escrevendo eu penso,

Pensando nos unimos,

Num renascer diário

No florescer de palavras.


O corpo termina.

Memórias e palavras 

Sobrevivem ao tempo,

Mantendo a comunicação.


Palavras, versos e histórias,

São a continuidade da vida.

"Não esquecer" é força ativada

Pela escrita com amor.


Elise Schiffer

quarta-feira, 8 de abril de 2026

2845 - Vôo suave dos sonhos


Sonhar nos faz esquecer

A tristeza da ausência.

Viajamos no trem das lembranças 

E cruzamos olhares nas estações.


Ligeira é a passagem dos trens,

Mas olhares se cruzam

Antes do desvio no percurso

E o céu ilumina se nas almas.


Poucos segundos unem corações,

Libertando-os da saudade.

Não importa a liberdade passageira,

importa corpo e alma felizes.


O vôo suave dos sonhos,

Transforma a carcaça em ave

Com o poderes para transitar

Em mundos separados.


Elise Schiffer

2845 - Questões da vida

 

Transformar o vazio 

Em palavras de saudades

E o silêncio sepulcral 

Em versos sem rimas.

É questão de sobrevivência.


Palavras e versos 

São asas com vôo certo

Ao passado de uma vida

Onde a ilusão abraça.

É questão de acolhimento.


Escrever lembranças 

Dá sabor de festa aos dias,

Com uma pitada 

Do amargor da saudade.

É questão de sabedoria.


O vazio da vida senil

Aprisiona a alma num limbo,

Onde a felicidade agoniza 

Sem regresso ao passado.

É questão de submissão.


Elise Schiffer

segunda-feira, 6 de abril de 2026

2843 - Oração ao passado


Passado querido.

A saudade que tu deixastes

Descansa em mim.

Abençoado sejas.


Amo e respeito tudo que vivemos.

Tu és a direção inspiradora

Do meu escrever.

Recebas as graças que tenho por ti.


O presente ainda ouve

O teu coração pulsando

Nas risadas, choros e suspiros.

Porque a felicidade é eterna.


As lembranças que tu me ofertas,

Libertam minh'alma

Do labirinto da solidão.

Recebas meus agradecimentos.


Passado querido,

Tu ainda tens perfume, cor e sabor.

A memória é o segredo que abre

A passagem além do sepulcro.


Eu vós agradeço

Por cada amanhecer 

Com o retorno dos sonhos.

Tu revitaliza minhas esperanças. 


Ao amanhecer o amor fica ancorado, 

No porto da Montanha de rosas.

Caminho conhecido

Através do mapa das palavras.


Retorno e guardo o amor vivo,

Agradecendo e desejando

Que as lembranças vivam

Para todo o sempre. Amém.


Elise Schiffer

domingo, 5 de abril de 2026

2842 - Escrever para o mundo


Escrevo e descrevo para o mundo,

Os benefícios das paixões,

Alegrias e dores do caminho.

Adiciono rimas aos sonhos

Para que a esperança

Baile a cada amanhecer.


Caminho nas linhas da ilusão

E perco-me na devassidão 

Das entrelinhas do nós.

Cérebro e coração entrelaçados 

Unem lembranças e amores

Em estrofes de pura ilusão.


Escrevo e descrevo o amor,

Guiando-me pela espera 

De quê suas sementes

Floresçam em versos 

Dando ao mundo poesias vivas,

Do mais puro sentimento.


Escrevendo a solidão é diluída,

A cidadela da saudade fica iluminada, 

Temores do porvir são dizimados,

Vencendo a guerra interior 

Das incertezas do futuro

E das hipocrisias do agora.


Elise Schiffer

sábado, 4 de abril de 2026

Mães e Avós


Na festa da vida as mães são maçãs do amor. 

Doces e nutrientes em seu amor, 

devido a responsabilidade de criar 

e preparar seus  filhos para o mundo.


Na festa da vida as avós são algodão doce.

Doces e macias como nuvens, 

porque sem pressa de viver 

sonham juntos com os netos.


Elise Schiffer 

04/04/24

quinta-feira, 2 de abril de 2026

2839 - Reflexo


O Amor precisa de reflexo,

Para preencher e aquecer,

Iluminando a caminhada de dois.


A Saudade é semente estéril,

Seu reflexo está no passado,

Apontando um caminho sem rumo.


As lembranças do amor vivido,

Abrandam a saudade e a dor,

Para a carcaça seguir em frente.


Elise Schiffer

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Semeando pão em pratos vazios


Semeamos pão para pratos vazios…

O passado que teima em ser presente,

usa perseguir ou extinguir com adjetivos.

Semeamos pão para pratos vazios…

O presente é dos filhos desafiadores,

que de peitos nus escolhem seu caminho.

Semeamos pão para pratos vazios…

Esvaziamos os copos dos ricos, 

acostumados com a fartura e a soberba.

Semeamos pão para pratos vazios…

Gritamos até ferir a garganta,

não aos acostumados com roubos sociais.

Semeamos pão para pratos vazios…

Somos filhos de uma geração acostumada com curral eleitoral,

hoje gritamos e lutamos por transformação.

Semeando pão para pratos vazios...

Salve o povo brasileiro.


ELISE SCHIFFER

terça-feira, 31 de março de 2026

2837 - Mar do amor


No azul do seu mundo

Firmei meu céu de palavras.

Do brilho dos seus olhos

Fiz uma estrela de versos. 

Nos sorrisos apaixonados 

Semeei meus sonhos.


Juntei céu, olhar e sorrisos

Para enfeitar nossas bodas.

Com um buquê de poesias

Perfumei nossa união 

E no navio dos seus abraços 

Deixei-me ir ao mar do amor.


Elise Schiffer

2837 - Volitar perfume


Você não foi rosa.

Verdadeiramente, 

Foste um jardim,

Perfumando a desolação 

Viva em meu coração.


Sonho e escrevo

Tudo o que sinto vivo,

Em meu coração roseiral,

Volitando seu perfume

No que sobreviveu do nós.


Elise Schiffer

2837 - Subirei aos céus


Subirei aos céus 

E abraçarei a lua.

Observarei as estrelas 

E quando a exaustão chegar,

Deitarei em uma cratera e sonharei...

Uma noite inteira de sonhos.


Acordarei e aterrizarei feliz na Lua,

Por ter estado no segundo céu,

Abrandando saudades.

De braços erguidos dançarei,

Agradecendo os sonhos vividos

E a esperança do sol no coração.


Elise Schiffer

segunda-feira, 30 de março de 2026

2836 - Saudade com saudade

 

A Saudade cansou

De sofrer por saudade.

Durante anos a Saudade

Visitou o passado,

Buscando a felicidade vivida.


A Saudade não olhava para frente,

Seus olhos foram para a nuca.

O caminhar era em frente,

Enquanto seu olhar saudoso

Só enxergava o passado.


A Saudade cansada

De sofrer em vão,

Dá meia volta e

Caminha rumo ao passado,

Com olhos voltados para o futuro.


A Saudade chegou

Ao passado feliz. Já morto!

O olhar direcionado ao futuro

Enxergou apenas solidão,

Aumentando assim sua desolação.


A Saudade desalentada,

Fechou seus olhos,

Sentou-se, cessando seu caminhar

E ficou no presente de sonhos.

Aguardando o findar da saudade.


Elise Schiffer

domingo, 29 de março de 2026

2538 - Sobras


A Sobra de uma família 

É sempre o que mais cuidou 

E ficou só no caminhar 

Assistindo amores partirem.


A Sobra de um trabalhador

É a chegada da aposentadoria 

E a perda de sua utilidade 

Tornando-se um estranho ao grupo.


A Sobra de uma sociedade

É a velhice no caminho dos jovens

Com histórias repetitivas e

Limitações no acompanhar.


A Sobra de um  sonho

É o resquício da imaginação 

Ao pensar em como teria sido

Sua realização e alcance.


Juntando todas as Sobras

Não se obtem um monte

Apenas a certeza de um nada

Que o mundo não sentirá falta.


Elise Schiffer

A blusa azul + adento literário

A blusa azul. 

Já fui de mangas compridas e brilhei em festa de gala, rodopiando no salão ao som de uma valsa. 

Fui molhada com lágrimas de felicidade na festa de quinze anos da filha de minha dona.

No mesmo ano fiquei mais curta no comprimento e nas mangas, o que me tornou mais leve e jovial para uma manhã, sob o sol de dezembro, marcando presença na formatura do primogênito da minha dona, novamente fui molhada com lágrimas,   desta vez eram de orgulho.

Desde então tenho marcado presença em todas as ocasiões especiais, aniversários, batizados, casamentos, funerais e reuniões. Estou sempre pronta e bonita para que minha dona brilhe e nós duas possamos formar uma imagem harmônica.

Minha última presença foi na formatura do curso universitário da sua filha, mais uma vez fui molhada com suas lágrimas de alegria e orgulho. 

Sinto-me muito honrada por todas as lágrimas que absorvi, já que as fiz minhas também, quer fossem de alegria, orgulho ou dor. 


Sou feliz pelos cuidados que recebo da minha dona e por saber que não sou uma peça velha ou fora de época, pelo contrario, sou uma peça que completa e valoriza minha dona, além de ajudar o planeta. Mesmo que de forma infinitamente pequena.

Sou parte integrante da família há muitos anos e afirmo que conheço a todos, acompanhando cada conquista ou perda.

Eu sou com muito orgulho, a Blusa Azul da minha dona.

Elise Schiffer


Adento literário 

Texto -  A blusa azul.

Continuidade de uma parceria entre a blusa azul e sua dona.

...

Eu sou a blusa azul.

Mais uma vez, fui honrada em estar lado a lado com minha dona. União harmônica em imagem social e no conforto corpo versos vestimenta.

Nossa caminhada de vinte e dois anos juntas, não nos envelheceu, apenas aprimorou nossa beleza. Assim fui premiada com participação em mais um novo evento, de alegrias e orgulho. Evento que fez me ser lembrada, colocada ao sol e vestida com amor. A colação de grau do caçula de minha dona. Novamente absorvi lágrimas de orgulho e felicidade. 

Meu corpo feito de tecido azul, guarda a energia de cada lágrima, que minha dona derramou sobre mim e eu orgulhosa, a visto com todo primor.

Nossa união, cuidados e respeito, nos tornam companheiras para todos os momentos especiais, sejam alegres ou não.

Eu a blusa azul estou honrada com nossa caminhada e se me for permitido, acompanharei minha dona com muito orgulho, no seu momento derradeiro.


Elise Schiffer