domingo, 28 de junho de 2026

2926 - Virar monumento


Mães viram monumentos,

E seus lares viram praças.

Amores são apenas visitantes.

Visitas turísticas com poucos diálogos

E nenhum contato afetuoso.

Mães envelhecidas são monumentos

Em destaque em praças abandonadas.

Muitos passeiam, visitam,

Por falta de divertimento melhor.

O lar virá praça 

Onde amores viram estranhos, 

Com visitas cronometradas

E tempo obrigatório reduzido.

Conversam pouco e

Voltam rapidamente a suas atividades.

Ninguém observa a corrosão do monumento, 

Se olham não enxergam,

Por saberem simplesmente que está ali.

Ninguém lê as informações 

Contidas nos olhares de dor,

Por acharem que tudo está bem.

Não enxergando a corrosão da solidão.

Dia e noite o monumento está ali,

Preservando a memória do passado,

Da família e dos amores.

O monumento aguarda um olhar, 

Uma leitura com carinho,

Atenção pelo elo do coletivo.

Quem sabe...

Abraços e mãos amigas

No seu vazio do dia a dia.

A praça perdeu sua graça, 

Sendo consumida pelo tempo

E mesmo assim tornou-se obrigação,

Com visitas frias e distantes,

Dando leveza à culpa do abandono.


Elise Schiffer