Mães viram monumentos,
E seus lares viram praças.
Amores são apenas visitantes.
Visitas turísticas com poucos diálogos
E nenhum contato afetuoso.
Mães envelhecidas são monumentos
Em destaque em praças abandonadas.
Muitos passeiam, visitam,
Por falta de divertimento melhor.
O lar virá praça
Onde amores viram estranhos,
Com visitas cronometradas
E tempo obrigatório reduzido.
Conversam pouco e
Voltam rapidamente a suas atividades.
Ninguém observa a corrosão do monumento,
Se olham não enxergam,
Por saberem simplesmente que está ali.
Ninguém lê as informações
Contidas nos olhares de dor,
Por acharem que tudo está bem.
Não enxergando a corrosão da solidão.
Dia e noite o monumento está ali,
Preservando a memória do passado,
Da família e dos amores.
O monumento aguarda um olhar,
Uma leitura com carinho,
Atenção pelo elo do coletivo.
Quem sabe...
Abraços e mãos amigas
No seu vazio do dia a dia.
A praça perdeu sua graça,
Sendo consumida pelo tempo
E mesmo assim tornou-se obrigação,
Com visitas frias e distantes,
Dando leveza à culpa do abandono.
Elise Schiffer