Escrever é saudade?
Ou escrever é sonhar
No tempo livre com loucura?
Escrever é eternizar o simples.
Escrever para quem?
Para os cachorros que dormem,
O passado desperto,
O futuro que cochila
E o presente que choraminga.
Escrever com platéia.
Plantas buscando o sol frio
Do outono da vida e do tempo,
Um avião que interrompe o silêncio
Transportando expectativas.
Platéia ou leitores?
Somente palavras que brincam
Com a voz da mente,
Flertam com o coração vazio
E sapateiam nas mãos.
Onde estão os leitores?
Na loucura do próprio escritor,
No avião que passa longe,
Nós cachorros quando despertos
E nas plantas silenciosas.
Quem ouve?
As próprias palavras que falam
E ouvem sobre tudo,
Além de abraçarem o escritor,
Que sente o frio do vazio.
O que fica no literário?
Personagens que amam,
Versam e seguem
A carcaça fétida do escritor
Que já abalou autrora.
Elise Schiffer