sexta-feira, 12 de junho de 2026

2910 - Innamorare


Estar em amor.

Algumas pessoas 

Não partem...

Não desaparecem...

Apenas permanecem.


Estar em amor.

O corpo finda-se,

A alma parte,

Mas o olhar fica,

Na alma dos que ficaram.


Estar em amor.

É deixar no outro 

Um pedaço da dedicação,

Da vontade de seguir em frente 

E o melhor do coração.


Estar em amor.

É vencer a tristeza e seguir.

Viver dias felizes e seguir.

Ter paciência com o tempo e seguir,

Porque amores não desaparecem.


Elise Schiffer

quinta-feira, 11 de junho de 2026

2909 - Cacos de um amor


Juntei cacos de lembranças 

E os transformei em sonhos.

Juntei cacos de palavras 

E os transformei em versos.

Juntei sonhos e versos 

E os enviei para ti pelo vento.


Juntei cacos do meu amor

E criei um mosaico de recordações.

Juntei cacos de decepções 

E os transformei em jardins.

Juntei recordações e jardins

E flori minha infinita saudade.


Elise Schiffer

quarta-feira, 10 de junho de 2026

2908 - Saudades do quê?


Dos dias bem vividos

E dos amores bem amados,

Que deixaram saudades.


Saudades que cabem

Nos muitos amores e 

Nas infinitas lembranças.


Saudades das limitações humanas,

Da leveza dos tropeços no caminhar 

E das simplicidades nos olhares.


Saudades dos risos sem motivo, 

Do dançar no silêncio 

E dos sussurros sem pudor.


Saudades das lutas com respeito,

Das floradas nas estiagens

E das lágrimas que rolaram juntas.


Saudades infinitas

Dos amores bem vividos 

E dos dias de súplicas.


Saudades das mãos que sangraram,

Das dores que passaram

E da saudade que ainda é saudade.


Elise Schiffer

2906 - Palavras da vida

Escrever é saudade?

Ou escrever é sonhar

No tempo livre com loucura?

Escrever é eternizar o simples.


Escrever para quem?


Para os cachorros que dormem,

O passado desperto,

O futuro que cochila

E o presente que choraminga.


Escrever com platéia.


Plantas buscando o sol frio

Do outono da vida e do tempo,

Um avião que interrompe o silêncio

Transportando expectativas.


Platéia ou leitores?


Somente palavras que brincam

Com a voz da mente,

Flertam com o coração vazio

E sapateiam nas mãos.


Onde estão os leitores?


Na loucura do próprio escritor,

No avião que passa longe,

Nós cachorros quando despertos 

E nas plantas silenciosas.


Quem ouve?


As próprias palavras que falam 

E ouvem sobre tudo,

Além de abraçarem o escritor,

Que sente o frio do vazio.


O que fica no literário?


Personagens que amam,

Versam e seguem

A carcaça fétida do escritor 

Que já abalou autrora.


Elise Schiffer

domingo, 7 de junho de 2026

2905 - Ser sobra


A alma de porcelana 

Vive a estação 

De ser "sobra".


Louça que existiu

Para servir diariamente 

E trincou pelo abandono.


O abandono que dilacerou

A pintura já senil

Cheia de aconchego.


A senilidade da porcelana 

Rachou o esmalte já sem brilho

Com marcas sem conserto.


Elise Schiffer

quarta-feira, 3 de junho de 2026

2901 - Teatro da vida


O fim da vida é um espetáculo

Silencioso para o protagonista.

A minguada plateia saboreia,

Pequenos ecos que rasgam

O silêncio sepulcral do palco.


No cenário do palco

Palavras e recordações 

Bailam formando imagens

Classificadas como

"Obras de arte do amor".


Silêncio é condição ocupada

Por lembranças em preto e branco,

Que fortalecem cenas difíceis,

Cumprindo o tempo do espetáculo 

Sem mudar a essência da peça.


Elise Schiffer

2901 - Turbilhão da saudade


Minhas palavras 

São um céu turbulento 

Onde a saudade 

Se faz tempestade.


Minhas entrelinhas 

São sonhos e lembranças 

Dando formas

Ao imaginário apaixonado.


Minha poesia 

É ponte unindo

Céu e terra no mundo

Onde só os loucos vivem.


Versos sem rimas 

Com duplo sentido 

Expressão o turbilhão 

Da saudade.


Elise Schiffer