domingo, 7 de junho de 2026

2905 - Ser sobra


A alma de porcelana 

Vive a estação 

De ser "sobra".


Louça que existiu

Para servir diariamente 

E trincou pelo abandono.


O abandono que dilacerou

A pintura já senil

Cheia de aconchego.


A senilidade da porcelana 

Rachou o esmalte já sem brilho

Com marcas sem conserto.


Elise Schiffer