Palavras não seguram
O tempo nem as pessoas.
Quase uma prisão.
Tentar criar vínculos pós morte,
É loucura de escritor.
Quase uma libertação.
Escrever por dias e anos,
Deitando a saudade em resmas.
Quase uma loucura.
Versar tentando ser ouvida,
Expondo a dor de uma vida.
Quase um sonho.
Acreditar na sobrevida do amor,
Mantendo o luto vivo.
Quase um prazer.
O tempo passar,
Estações passarem e o amor ficar.
Quase uma persistência.
Não parar de escrever por crença,
Atrelada nas entrelinhas.
Quase uma religião.
Abandonar a escrita diária,
Deixando o amor morrer novamente.
Quase uma desolação.
Palavras no agora,
Revivendo lembranças.
Quase uma felicidade.
Palavras ensinando,
Deixar partir é um ato de amor.
Quase uma poesia.
Elise Schiffer