Nascer no interior,
Onde a pobreza era a maior riqueza
E caminhar sempre com pés no chão.
Chorar com cuidado
Para não molhar os trapos remendados.
Lanchar escondida
Para que o pão duro não fosse piada.
Mesmo assim caminhar e ler,
Ler...
Livros velhos e jornais velhos do lixo,
Mas ler e chegar.
Chegar!
Chegar longe
E do topo onde não há fome nem frio,
Chorar mesmo assim,
Com saudades da simplicidade
Que cercava a pobreza com sonhos.
Nadar não no rio que corre no chão,
Mas nos rios flutuantes do céu
E chegar ao Mar.
Elise Schiffer
20/07/2014