É chegado o momento
das lembranças emergirem.
A velhice chega
sem bater a porta
e a deixa entreaberta.
As visitas indesejáveis
são as mais frequentes.
A Indiferença, A Solidão,
O Abandono e a Sabedoria,
num corpo sem forças.
Depurar as mazelas é preciso
enquanto os dias se esvaem.
Pronunciar: meu amor,
somente nas lembranças.
Os olhos embasados
não lacrimejam mais.
O coração fraco
sofre com a indiferença.
A carcaça curvada
suporta o peso do mundo.
A velhice ensina a não fugir.
Caminhar sem medo
é a ordem no palco sem plateia.
Sonhos de criança
em tempo de morrer.
Assim é a velhice
nas mãos solitárias
da sabedoria.
Meu Deus…
Elise Schiffer
01/03/2015