Gastei sonhos sem reservas.
Hoje restam apenas
Fumaças disformes,
Desfazendo-se nas lembranças.
Escrevi cartas em vão.
Hoje lembro dos destinatários,
Que não mergulharam
Nas entrelinhas da amizade.
Pendurei fotos pela casa.
Hoje elas povoam a solidão,
Relembrando os dias alegres
E a mesa rodeada de corações.
Transformei roupas antigas
Em retalhos bordados por orações,
Pois cada flor feita de linha
É uma benção metalizada.
Vivi... Hoje vivo o poente da vida.
Poente sem beleza ou fim.
Porque desejar findar os passos,
Só aumenta a dívida do caminhar.
Elise Schiffer