terça-feira, 30 de dezembro de 2025

2745 - Papel, lápis e sonhos.


Hoje, sentada observando meu jardim, veio-me uma recordação do tempo de criança.

Férias de julho, ano de 1968, prestes a completar 10 anos.

...

Preparativos para férias escolares na casa da minha doce avó Zulmira. 

Lembro-me da ansiedade que fiquei nos dias que antecederam a ida. 

Passei dias comprando blocos de papel pautados, lápis e borracha, com os trocados que conseguia juntar.

Chegando ao paraíso, casa da minha avó, logo guardei todos os blocos de papel e o resto do material, na primeira gaveta do camiseiro rosa. 

Há... o tal camiseiro rosa.

Nesta época eu completaria 10 anos e a escrita já encantava-me.

A pobreza e a simplicidade eram o meu paraíso. Tudo virava riqueza perto da minha avó e da minha tia Dulce. 

Bons tempos...

Hoje, aos 67 anos de idade, ainda vivo rodeada por folhas de papel, canetas e sonhos.

Minha avó mantém-se viva, nas histórias que conto, nas lembranças e nas saudades que residem em meu coração.

A marca do meu caminhar é  papel, lápis e sonhos.

Produzi milhares de escritos, consumi canetas até a última gota de tinta, lápis e borrachas foram usados até o fim, como também uma caixa cheia de sonhos não realizados.

Assim é o caminhar de quem nasceu escritora, se fez escritora, sente-se escritora, vive como escritora, colocando no papel sonhos, emoções, saudades e delírios que ninguém lê.

Muito prazer, sou Elise Schiffer, uma escritora  independente sem leitores.


Elise Schiffer