sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Mini conto. - Alma Seca e o Cavalheiro Arretado

 

Alma Seca caminha com o coração despedaçado. Meio século a fazem pensar nos sonhos vazios que deixou pelo caminho.


A idade trouxe paciência e uma mente digital, ágil no pensar e resolver problemas ao mesmo tempo.


No caminhar em direção a esquina, Alma Seca fala alto.


- Eu vivo sonhando, não posso viver sem sonhar!


Alma Seca pensa.


 - Sim. Sonhar sempre, viver o acaso, transformar a realidade num sonho.


Neste instante Alma Seca chega a esquina e encontra seu Cavalheiro Arretado.


- Que surpresa! 


- Sim, quanto tempo, trinta anos. 


- Eu ainda tenho o livro que você me deu. 


- Sério? 


- Sim. O livro é nosso elo. Eu casei me três vezes, morei em vários estados, passei muitas dificuldades, mas sempre recorri ao livro quando precisei de um afago. 


- Vou falar rápido. Quero lhe pedir desculpas por toda a dor que te causei no passado. 


- Não vamos falar de tristezas. 


- Eu amo você Cavalheiro Arretado, o que faltou me foi coragem de enfrentar a vida e gritar para o mundo que te amo. 


- Nos momentos de saudades, orei aos céus e pedi asas como o cardeal do nordeste para voar e ficar perto de ti. 


- Sofremos e fazemos vários pessoas sofrerem por falta de dedicação. Tu não precisas de asas, basta seguir o caminho dos sonhos. O coração de um aventureiro apaixonado é fiel e conhece seu rumo. 


- Querida Alma Seca, estamos ligados pelos sonhos, nada pode nos separar. Nosso próximo encontro será aqui nesta esquina daqui a trinta anos. 


Os dois apaixonados apertam as mãos e seguem até o próximo encontro.


Elise Schiffer 

01/10/2016