Alma Seca caminha com o coração despedaçado. Meio século a fazem pensar nos sonhos vazios que deixou pelo caminho.
A idade trouxe paciência e uma mente digital, ágil no pensar e resolver problemas ao mesmo tempo.
No caminhar em direção a esquina, Alma Seca fala alto.
- Eu vivo sonhando, não posso viver sem sonhar!
Alma Seca pensa.
- Sim. Sonhar sempre, viver o acaso, transformar a realidade num sonho.
Neste instante Alma Seca chega a esquina e encontra seu Cavalheiro Arretado.
- Que surpresa!
- Sim, quanto tempo, trinta anos.
- Eu ainda tenho o livro que você me deu.
- Sério?
- Sim. O livro é nosso elo. Eu casei me três vezes, morei em vários estados, passei muitas dificuldades, mas sempre recorri ao livro quando precisei de um afago.
- Vou falar rápido. Quero lhe pedir desculpas por toda a dor que te causei no passado.
- Não vamos falar de tristezas.
- Eu amo você Cavalheiro Arretado, o que faltou me foi coragem de enfrentar a vida e gritar para o mundo que te amo.
- Nos momentos de saudades, orei aos céus e pedi asas como o cardeal do nordeste para voar e ficar perto de ti.
- Sofremos e fazemos vários pessoas sofrerem por falta de dedicação. Tu não precisas de asas, basta seguir o caminho dos sonhos. O coração de um aventureiro apaixonado é fiel e conhece seu rumo.
- Querida Alma Seca, estamos ligados pelos sonhos, nada pode nos separar. Nosso próximo encontro será aqui nesta esquina daqui a trinta anos.
Os dois apaixonados apertam as mãos e seguem até o próximo encontro.
Elise Schiffer
01/10/2016