Final da tarde.
Cheiro de sabonete no corpo e fita no cabelo.
O dia foi de felicidade na casa da avó.
Uma simples visita tornava se algo mágico.
No retorno para casa, da janela do lotação (ônibus) no trajeto Nova Iguaçú X Penha, a menina sonhadora de apenas 9 anos , vê na porta de um ferro velho em Mesquita, um portão velho e enferrujado a venda. Isso foi o suficiente para que seu coração palpitar e sonhar.
A pequena boa de contas, começou a pensar, calculando o tempo que levaria para juntar o dinheiro e comprar o tal portão para colocar na casa de sua avó.
Naquele instante o portão enferrujado tornou se um tesouro desejado e quase inalcançável.
Desde muito cedo a menina já trabalhava, vendendo laços de cabelos para meninas, calcinhas e bolsas de pano.
Ganhar pouco não era seu maior problema, a espera sim, seria longa.
A imaginação fértil fez com que a menina imaginasse a casa de sua avó com portão, um pequeno jardim de flores e sua avó sorrindo ao abrir o portão.
Sim. Seria o paraiso.
Separada abruptamente de sua avó, seus dias eram tristes e vazios.
O tempo não pára, não espera por ninguém, nem mesmo os sonhadores.
A menina não comprou o portão e aprendeu desde cedo, que sonhos para os pobres, são permitidos por serem gratuitos.
Elise Schiffer