Diante do espelho da vida,
Nos despimos e analisamos
Belas e horrendas cicatrizes,
Adquiridas no caminhar.
Um lado do peito tem um jardim
Com nomes, cheiros e alegrias.
O outro lado do peito tem um poço
Com dores, saudades e lágrimas.
A mão direita doa carinho.
A mão esquerda pede apoio.
Os pés seguem sonhos e dores
E a carcaça luta contra doenças.
O ventre é a gestação interminável,
Preservando em suas entranhas
Sementes que são puro amor.
Do seu mais puro sentimento.
Apesar das amputações amorosas.
A carcaça é resistente
Com recomeços e perdas
De amores preservados na memória.
Elise Schiffer