sábado, 10 de junho de 2023

1804 - Subir / Descer (pequeno conto)

 


Uma senhora vai a um acompanhamento rotineiro a meses. Em sua bolsa bordada estão alguns exames com datas vencidas de seu grandioso coração.
O medico verifica os exames por delicadeza e faz exames presenciais enquanto avalia o conjunto num todo.
- Seu coração está com o tamanho aumentado, o que chamamos de Cardiomegalia. (Diz o médico)
- Não concordo muito com o nome, deveria ser Cardioamores. (Diz a paciente)
- Não entendi Senhora. (Diz o médico)
- Simples doutor. Eu amei meus pais, avós, tios, irmãos, dois maridos, três filhos e quatro netos. Somando se um grupo de amigos. Amei, amo e amarei num elo infinito. São muitos amores, o coração precisa de espaço para tantos sentimentos e a saudade que sinto de todos, desde que iniciei este acompanhamento longe de todos. (Diz a paciente)
- Não brinque senhora. Cuidar se é necessário. (Diz o médico)
- Fiquei preocupada doutor. (Diz a senhora)
- Não se preocupe o tratamento é simples, logo estará restabelecida. (Diz o medico)
- Não é o tratamento. Como eu amo muito, meu coração está pesado. Creio não conseguirei subir aos céus com o peso, o que acarretará uma descida brusca ao inferno. Sabe de uma coisa doutor? Eu detesto calor. Kkkkkkk (Diz a paciente)
- Esse é seu único medo? (Diz o médico)
- Não! Tenho medo de acabar amando o diabo. Meu coração ainda tem muito espaço a preencher. (Diz a paciente)
Ambos sorriem e se despedem.
O médico pega o elevador subindo e a paciente pega o elevador descendo.
Elise

quarta-feira, 7 de junho de 2023

1810 - Milagre da mente

 

O gostar não pode ser sepultado
O amor sobrevive a morte
A mente é energia vibrante
Combustível para as lembranças
O passado é irrigado pela mente
As lembranças ressurgem para vida
A saudade reina absoluta
E acontece o milagre...
Seu olhar brilha em mim
Seu perfume pode ser sentido
As flores acalmam sua ausência
O silêncio disfarça a saudade
Os versos batem a sua porta
Trajados com requintes de poemas
Conduzindo cartas de amor

Elise para Rosemberg

segunda-feira, 5 de junho de 2023

1808 - Onde?

 

Luz dos meus olhos
Sorrisos da minha felicidade
Certeza do meu caminhar
Onde estais?
A saudade invade a esperança
O medo apodera se do "depois"
O caminho segue sem direção
Onde estou?
Na soleira entreaberta de tudo
Da esperança com a desesperança
Do amor com o desamor
Onde está a vida?
Na esperança por um sonho
Nas lembranças de uma vida
Nos versos que não chegam aos céus
Onde está a morte?
No fim da dor do luto
No silêncio interior
No medo de nunca mais vê lo
Onde está o céu?
Por trás do luar sem a luz do seu olhar
Amparando as estrelas sem seus pedidos
Na luz do sol que não aquece mais
De Elise
Para Rosemberg

sábado, 3 de junho de 2023

1806 - Incansáveis

 

Há momentos
de cansaço e tristeza
As lágrimas
não choram suas dores
O desânimo
é vencido pela amor familiar
Tudo é pequeno
fora deste universo
Estar a postos
é a função das mães
Categoria incánsavel
sem direito a aposentadoria
Dor e solidão
vivem no bosque do passado
Lágrimas
rolam rumo a represa da saudade
Lembranças
moldam se em bengalas
As mães caminham
em direção ao norte do coração
As mulheres são amparadas
pelas lembranças vividas
A sede da saudade
é saciada na represa das lágrimas
E a mulher visita seu jardim dos sonhos
onde vive a rosa do seu amor

Elise

sexta-feira, 2 de junho de 2023

1805 - Tanto faz

 


Cansada de ver seus sonhos
ficarem no meio do caminho

A luz da vida

A mulher parou de sonhar
e assim morreu a escritora

Só se apaga

A dor não sobreviveu a desilusão
o que restou abriu mão até da dor

Quando o interruptor

Sem esperança e sem dor
sobraram dias vazios de fé

Localizado no além

Tudo passou a ser um "tanto faz"
o mundo perdeu uma escritora

For desligado

Elise

quinta-feira, 1 de junho de 2023

1801 - Mentiras verdadeiras

             Parte do romance  "O Ferreiro"


A beleza da mocidade não atraia o amor
A idade somava se a solidão de cada primavera
O amor primeiro não foi o esperado dos planos
O namoro estava fora das expectativas culturais
Sua pureza foi dada a um larápio com capivara
Suas núpcias foram com um hetero/homossexual
A companhia amorosa foi aceita por total solidão
Fingir ser amada e feliz foi a opção que restou
Interpretar tornou se realidade da felicidade
Sua vida fictícia transbordava encantamento
A perda da companhia destruiu a fantasia
Restando o luto grandioso na alma entorpecida
Delírios gigantescos com a felicidade usurpada
Sofrimentos imaginários da realidade
Luto real com dor supervalorizada
Dúvidas...
Quem havia morrido?
O companheiro, a fantasia, o amor ou a loucura?
Fabuloso foi o amor vivido na imaginação
Sofrer enaltecia e fortalecia a união
A realidade falecida nunca teve vida
De tanto fingir sofrer
O sofrimento da perda tornou se real
A mentira criou vida a pulsar saudade
Verdades foram diluídas com as mentiras
O amor tornou se um conto de fadas enlutado
A realidade tornou se loucura prazerosa
E o sonho grandioso do amor foi alcançado

Elise

1803 - A Morte e o Tempo

 


O grande vilão do amor
não é a Morte
O grande vilão do amor
é o Tempo
A Morte leva o corpo
deixando todo o resto
O Tempo implacável leva tudo
dor, saudades e lágrimas
Tudo perde sua força e cor
só as lembranças são intocáveis

Temer a Morte é um engano
ela apenas consome a carne
Implacável é o Tempo enganador
faz se de bom moço a curar tudo
Levando a dor, a saudade e as lágrimas
deixando o vazio, o silêncio e a solidão
A vida perde o sal e o céu suas estrelas
sem rumo o viajante não faz mais paradas
A carcaça clama pela Morte
enquanto o Tempo zomba da trilha vazia

Elise Schiffer para Rosemberg