Hoje, sentada observando meu jardim, veio-me uma recordação do tempo de criança.
Férias de julho, ano de 1968, prestes a completar 10 anos.
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Preparativos para férias escolares na casa da minha doce avó Zulmira.
Lembro-me da ansiedade que fiquei nos dias que antecederam a ida.
Passei dias comprando blocos de papel pautados, lápis e borracha, com os trocados que conseguia juntar.
Chegando ao paraíso, casa da minha avó, logo guardei todos os blocos de papel e o resto do material, na primeira gaveta do camiseiro rosa.
Há... o tal camiseiro rosa.
Nesta época eu completaria 10 anos e a escrita já encantava-me.
A pobreza e a simplicidade eram o meu paraíso. Tudo virava riqueza perto da minha avó e da minha tia Dulce.
Bons tempos...
Hoje, aos 67 anos de idade, ainda vivo rodeada por folhas de papel, canetas e sonhos.
Minha avó mantém-se viva, nas histórias que conto, nas lembranças e nas saudades que residem em meu coração.
A marca do meu caminhar é papel, lápis e sonhos.
Produzi milhares de escritos, consumi canetas até a última gota de tinta, lápis e borrachas foram usados até o fim, como também uma caixa cheia de sonhos não realizados.
Assim é o caminhar de quem nasceu escritora, se fez escritora, sente-se escritora, vive como escritora, colocando no papel sonhos, emoções, saudades e delírios que ninguém lê.
Muito prazer, sou Elise Schiffer, uma escritora independente sem leitores.
Elise Schiffer