sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

2805 - Fiz


Fiz em você minha morada.

Um cantinho só meu

Perfumado com flores beijos.


Fiz você meu céu.

Com o brilho dos seus olhos 

Cintilando para mim.


Fiz você o meu porto seguro.

Preenchendo cada canto

Com sua doce presença.


Hoje...


A morada não tem perfume,

O céu ficou sem estrelas

E o porto perdeu seu cais.


Elise Schiffer

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

2804 - Lembranças


As lembranças são 

O segundo coração 

Pulsando dentro do peito.


As lembranças são 

Afagos que aquietam 

A vontade de estar junto.


As lembranças ligam 

O longe e o perto

Em instantes de loucura.


As lembranças são flores

Que se abrem na mente

Perfumando dias solitários.


As lembranças são presentes 

Que alegram a alma 

Com a sensibilidade da gratidão.


Elise Schiffer

2804 - Tolos corações


A saudade é a soleira 

Da senilidade. 

Atravancando acessos 

As novas alegrias e sonhos.

Impondo o passado 

Como força atemporal. 

Não há presente ou futuro,

Onde a saudade é ditadura.

Nada novo entra no presente

E nada velho se esvai do passado.

A saudade tortura e mata

Qualquer expectativa de futuro.

O acesso livre a vida 

Fica interrompido pela saudade,

Que alimenta se de lembranças 

E usa as palavras para poetizar,

Embriagando e viciando

Tolos corações. 


Elise Schiffer

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A Blusa Azul. (Conto)


Já fui de mangas compridas e brilhei em festa de gala, rodopiando no salão ao som da valsa. 

Fui molhada com lágrimas de felicidade na festa de quinze anos da filha de minha dona.

No mesmo ano fiquei mais curta no comprimento e nas mangas, o que me tornou mais leve e jovial para uma manhã, sob o sol de dezembro, marcando presença na formatura do primogênito da minha dona, novamente fui molhada com lágrimas,   desta vez eram de orgulho.

Desde então tenho marcado presença em todas as ocasiões especiais, aniversários, batizados, casamentos, funerais e reuniões. Estou sempre pronta e bonita para que minha dona brilhe e nós duas possamos formar uma imagem harmônica.

Minha última presença foi na formatura do curso universitário da sua filha, mais uma vez fui molhada com suas lágrimas de alegria e orgulho. 

Sinto-me muito honrada por todas as lágrimas que absorvi, já que as fiz minha também, quer fossem de alegria, orgulho ou dor. 

Sou feliz pelos cuidados que recebo da minha dona e por saber que não sou uma peça velha ou fora de época, pelo contrario, sou uma peça que completa e valoriza minha dona, além ajudar o planeta. Mesmo que de forma infinitamente pequena.

Sou parte integrante da família há muitos anos e afirmo que conheço a todos e acompanho cada conquista ou perda.

Eu sou com muito orgulho, a Blusa Azul da minha dona.


Elise Schiffer

Minha força

Minha forca 

foi forjada na caminhada. 

Não tive escolha, 

era ser forte ou forte.

Quando jovem 

venci obstáculos apesar 

das inúmeras lágrimas. 

Quando madura, 

aprendi a vencer obstáculos 

sem lágrimas. 

Eu era forte.

Hoje velha, minha fortaleza sofre abalos, 

o choro muitas vezes é silencioso, 

mas ser forte é necessário na caminhada.

O meu EU forte envelhecido 

acena para os mais jovem caminharem.

As vezes ajudo no primeiro passo. 

Escondendo de todos meus medos.

Eu estou com muito medo do futuro.


Elise Schiffer 

25/02/24

Mulheres - Ano 2014


Na Dor profunda 

não  gritamos.

No Coração sangrando 

não rolamos lágrimas.

No Medo 

somos mais fortes. 

Confiança 

é nosso código genético.

Trabalho 

é nossa salvação.

Assim somos

mães, avós,

chefes de família

e mulheres. 


Elise Schiffer 

25/02/2014

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

2802 - Lamparina do coração


Uma pequena luz

Brilha na lamparina do coração, 

Mantendo a chama do amor acessa,

A iluminar os passos solitários 

Que vagam pela casa vazia.


A lamparina do coração ilumina 

Os caminhos que levam as lembranças, 

Aquece a dor da saudade

E acalma o turbilhão da solidão,

Enquanto caminhar é preciso.


Elise Schiffer