quarta-feira, 4 de março de 2020

620 - Âmago da vida

A palavra eternidade 
é pequena para dois,
Imensidão é grande 
para o egoísmo de um.
Ser carcereiro 
das lembranças no presente,
É poder divagar 
nos corredores do passado,
Que conduzem ao portal 
do tempo de dois.
As lembranças 
iluminam os dias sem luz,
Onde as trilhas 
levam a um ainda vivo.
Não há presente 
quando o futuro é roubado.
O que fazer 
quando não há futuro?
Manusear as lembranças 
como balsamo,
Dançar e suplicar 
por sonhos vivos.
O corpo tem medo 
do futuro morto, 
O coração só conhece 
as trilhas do passado.
O que resta 
além da ilusão em oração?
Palavras em versos 
para um agonizante,
Onde o mundo real 
é puro loucura,
E o mundo ilusório 
é o amago da vida.

De Elise para Rosemberg.
620